Efeito benéfico do lítio observado em idosos com Alzheimer começa a ser desvendado

Resultados de experimentos feitos em células cerebrais humanas e em camundongos sugerem que o medicamento retarda o envelhecimento celular, um dos fatores relacionados a doenças neurodegenerativas
Da Redação / Ecológico - redacao@souecologico.com
Saúde
Publicado em: 17/09/2019

O uso de lítio no combate ao Alzheimer tem sido objeto de diversos grupos de pesquisa há mais de uma década. Novos resultados obtidos por cientistas do Brasil e dos Estados Unidos sugerem que os efeitos benéficos da droga para a memória podem estar relacionados à sua capacidade de retardar o envelhecimento celular, um dos fatores relacionados ao surgimento de doenças neurodegenerativas.

Os dados foram apresentados por Tânia Viel, professora da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), na última terça-feira (10/9), durante a 34ª Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), em Campos do Jordão (SP). Parte da pesquisa foi conduzida durante o período que Viel passou no Buck Institute for Research on Aging, nos Estados Unidos, com apoio de bolsa da FAPESP.

Um estudo anterior do grupo havia mostrado que, quando administrado em doses muito pequenas, o metal, usado como estabilizador de humor em pacientes com transtorno bipolar e depressão, ajuda na manutenção da memória de idosos com Alzheimer.

Domínio público
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Para testar o efeito do medicamento em células cerebrais humanas, Viel recorreu a uma técnica de reprogramação que permite transformar células adultas – do sangue ou do fibroblasto (camada mais interna da pele) – em células-tronco pluripotentes induzidas (IPS, na sigla em inglês), que posteriormente foram induzidas a se diferenciar em astrócitos, o tipo celular mais abundante do sistema nervoso central.

Os astrócitos foram separados em dois grupos. À medida que sofriam o envelhecimento celular natural, uma parte era tratada com lítio, enquanto a outra não recebia nenhum tratamento.

“Observamos que o envelhecimento foi bastante reduzido nas culturas que receberam o lítio. O envelhecimento celular é um dos fatores relacionados ao aumento do câncer e de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson”, disse Viel.

Em outro teste, os cientistas observaram o funcionamento do cérebro de camundongos à medida que envelheciam. Foi usada no experimento uma linhagem de roedores que envelhece mais rápido – em apenas 12 meses, em vez dos 24 usuais.

“Os animais tratados com lítio desde pequenos mantiveram toda a formação da memória. Existe uma relação grande entre o aumento de ansiedade e a perda de memória na velhice. A redução da ansiedade nos animais pode estar relacionada à manutenção da memória”, explicou.

Fonte: Agência FAPESP


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