“Jovens cientistas” de Três Marias de olho nas águas do São Francisco

Estudantes fazem monitoramento das águas junto com empresa da região
Da Redação / Ecológico - redacao@souecologico.com
Educação Ambiental
Publicado em: 07/08/2019

A qualidade das águas do Velho Chico está na mira de estudantes de Três Marias (MG), que participam de uma iniciativa de monitoramento participativo, promovido pela Nexa. Por meio do programa Jovens Cientistas, os alunos estão aprendendo todas as etapas de controle de qualidade de águas. Dessa forma, a comunidade tem mais ferramentas para fiscalizar o estado do Rio São Francisco.

Na última ação, os jovens realizaram a coleta de amostras das águas superficiais do rio, no último dia 18. A ação foi precedida de treinamento sobre análises físico-químicas. Os participantes do programa são filhos de empregados da Nexa. A iniciativa faz parte do Programa de Educação Ambiental (PEA), desenvolvido pela empresa há 13 anos.

Segundo Warley José Gomes Pereira, gerente geral da Nexa em Três Marias, a iniciativa valoriza a participação nos processos da empresa. “É importante para despertar a consciência ambiental dos jovens e o interesse pela ciência, além de promover o engajamento da comunidade”, destaca.

A ação inclui, além de informações sobre qualidade de águas superficiais, a realização da coleta, acompanhamento das análises laboratoriais e a emissão dos laudos. Após os resultados, que devem ficar prontos em agosto, os jovens irão elaborar um relatório técnico sobre o monitoramento das águas do Velho Chico.

Preparação

Os jovens cientistas estão se preparando desde junho, quando visitaram os laboratórios do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental (DESA) da UFMG, em Belo Horizonte (MG), e puderam ver de perto como são feitas as pesquisas sobre o tratamento de águas, esgotos e efluentes industriais, além de conversar com professores e pesquisadores da instituição.

Dias depois, nas dependências da Nexa em Três Marias, os estudantes participaram de um treinamento teórico e prático sobre monitoramento de águas superficiais. No dia 15 de julho, os jovens visitaram os laboratórios da Campo Análises, em Paracatu (MG), e tiveram treinamentos sobre instrumentos e equipamentos de análises ambientais e conheceram todo o processo que as amostras passam dentro de um laboratório, com as diversas etapas desde o recebimento das amostras até a emissão dos resultados.

Reciclagem e Trilha do Cerrado

O programa “Jovens Cientistas” tem, além do monitoramento de águas superficiais, outras duas frentes com a participação de dez estudantes da região: “Trilha do Cerrado” e “Reciclagem”.

Os cinco integrantes da “Trilha do Cerrado” têm como desafio elaborar, até setembro, um inventário da fauna e flora existente na trilha da unidade da Nexa, que será revitalizada para receber visitantes no futuro próximo. Em junho, os monitores ambientais conheceram o Instituto de Meio Ambiente, no Centro de Inovação e Tecnologia (CIT) do Senai/Fiemg em Belo Horizonte (MG), onde participaram de atividades interativas sobre as atividades e pesquisas executadas nos mais variados laboratórios. Os pesquisadores Sylvia Meyer, Marina Andrada e Aylton Soares guiaram os jovens, que também ouviram as experiências e motivações pessoais e profissionais de estudantes e empregados que atuam no local, de forma a expandir e aguçar a vontade dos monitores para o interesse e importância de estudar e buscar o conhecimento.

“Reciclagem” é o outro tema do Jovens Cientistas. O objetivo é despertar os monitores para a gestão de resíduos sólidos e gerar um novo olhar, do que pode ser reutilizado ou reciclado. Em junho, os cinco monitores envolvidos neste módulo visitaram uma cooperativa de reciclagem em Belo Horizonte. No mesmo dia, participaram de uma oficina de reciclagem de resíduos no Cefet, quando aprenderam a fazer decoração com filtros de café usados, conheceram as instalações do campus, participaram de palestras e conversaram com estudantes de engenharia ambiental.

Ainda em junho, os estudantes visitaram a fábrica da Irani Celulose, em Santa Luzia (MG), que adquire papel e papelão descartados e os transforma em bobinas de papel reciclado, que serão utilizadas na fabricação de novas embalagens. Para agosto estão previstos treinamentos teórico e prático em reciclagem e um desafio: dar, em três dias, um outro significado ou uso a resíduos que serão disponibilizados para eles.


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