Estudo comprova ligação do desmatamento com surtos de doenças infecciosas

Relatório da Biodiversidade da ONU diz que doenças transmitidas por mosquitos dobrou no Brasil
Matheus Muratori - redacao@souecologico.com
Saúde e Meio Ambiente
Publicado em: 14/10/2019

Além do impacto ao meio ambiente, a exploração das florestas também afeta diretamente a vida humana. Segundo um estudo da Organização das Nações Unidas (ONU), o Relatório da Biodiversidade, esse manejo para fins diversos está entre as principais causas de surtos de doenças infecciosas em na sociedade e pelo surgimento de novas doenças em todo continente americano.

O estudo analisou mais de 15 mil pesquisas científicas e informações governamentais durante três anos. “O desmatamento, somado à expansão desordenada das áreas urbanas, faz com que os animais migrem para as cidades. No caso dos mosquitos, que são vetores de muitas doenças, a crise climática e o aumento da temperatura também trouxeram condições favoráveis à reprodução desses indivíduos”, explica Leide Takahashi, gerente de Conservação da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

“Os bens e serviços fornecidos pela natureza são os fundamentos definitivos da vida e da saúde das pessoas. A qualidade do ambiente em que vivemos desempenha papel essencial na nossa saúde. Em ambiente natural, com florestas intactas, mamíferos, répteis, aves e insetos se auto regulam. Nas cidades, os mosquitos passam a se alimentar também do sangue das pessoas, favorecendo a transmissão de enfermidades”, completa a gerente.

Desmatamento contribui para a transmissão de doenças (Foto: Zig Koch/WWF-Brasil)
Desmatamento contribui para a transmissão de doenças (Foto: Zig Koch/WWF-Brasil)

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Convenção da Diversidade Biológica (CDB) reconhecem que a biodiversidade e a saúde humana estão fortemente interligadas. Durante a 13ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-13), em 2016, os órgãos recomendaram uma série de ações preventivas.

Estudos da OMS apontam que, ao menos, 50% da população mundial corre o risco de contaminação por doenças transmitidas por mosquitos, chamadas de arboviroses. No Brasil, o Ministério da Saúde estima que o número de arboviroses tenha dobrado nas últimas três décadas. Algumas delas, como malária, dengue, febre amarela e zika, já causaram surtos em áreas urbanas.

Leide destaca ainda que a conservação do patrimônio natural é importante para o controle de outras doenças, como as mentais. O contato com a natureza é capaz de diminuir ansiedade e estresse.

“A natureza nos fornece água, ar puro, alimentos e outros recursos essenciais para o nosso dia a dia. Precisamos encontrar um ponto de equilíbrio para que as pessoas aproveitem esses recursos de forma responsável, sem prejudicar fauna e flora e sem colocar as próximas gerações em risco”, finalizou.


Postar comentário