Livro sobre resíduos sólidos é lançado com exposição dos dados de Minas Gerais

Evento aconteceu na noite dessa quarta-feira (26), em Belo Horizonte
Matheus Muratori - redacao@souecologico.com
Meio Ambiente
Publicado em: 27/06/2019

Foi lançado, na noite dessa quarta-feira (26), na Escola Superior Dom Helder Câmara de Direito, em Belo Horizonte, o livro “Gestão e Gerenciamento de Resíduos Sólidos - Um Panorama em Minas Gerais”. No evento de lançamento da obra, gratuito e aberto ao público, houve também uma palestra sobre como os resíduos sólidos urbanos são tratados no estado.

Lançamento do livro com os autores presentes no palco (Foto: Matheus Muratori/Sou Ecológico)
Lançamento do livro com os autores presentes no palco (Foto: Matheus Muratori/Sou Ecológico)

O livro, da editora Lumen Juris, foi uma iniciativa do professor José Cláudio Junqueira, de 69 anos. O docente, mestre e doutor em saneamento, meio ambiente e recursos hídricos, reuniu outros 33 autores para colaborarem com a obra. O material é uma espécie de “almanaque” dos resíduos sólidos urbanos em Minas.

“Lidero um grupo de pesquisa de licenciamento e impactos ambientais e, em 2018, resolvemos discutir e pesquisar sobre os impactos da exposição inadequada de resíduos sólidos. Fizemos dois seminários, e o pessoal começou a pesquisar. Além disso, comuniquei algumas pessoas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e sabia que essa universidade tinha um potencial grande de mestrandos, doutorandos e professores na área de resíduos sólidos. Na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) também. Então, resolvemos fazer uma publicação com o conhecimento de todas essas pessoas, mas que pudesse dar uma contribuição para a sociedade, principalmente para a administração pública”, disse José Cláudio, ao Sou Ecológico.

O livro trata de diversos resíduos sólidos, desde urbanos e da mineração até aos produzidos pelo efeito de cadáveres. José Cláudio afirmou que já pensa em uma espécie de volume dois, tratando de outro tema: a logística reversa.

“Pensamos em fazer um próximo volume especificamente para logística reversa. Ela é a obrigação que a lei dá para alguns resíduos pós-consumo, que o fabricante, importador, tenha a obrigação de retornar com o pós-consumo. Sejam lâmpadas, pilhas de baterias, pneus e até embalagens”, concluiu o professor de mestrado e graduação da Dom Helder. O livro está à disposição nas principais livrarias, principalmente online, e custa R$ 90.

Capa do livro, organizado por José Cláudio (Foto: Matheus Muratori/Sou Ecológico)
Capa do livro, organizado por José Cláudio (Foto: Matheus Muratori/Sou Ecológico)

Resíduos sólidos urbanos em Minas Gerais

Uma das autoras do livro lançado nessa quarta, Denise Bruschi foi convidada a palestrar no evento. Ela é gerente de resíduos sólidos urbanos da Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM) e mostrou os dados de Minas Gerais.

Segundo os números apresentados, atualmente, 391 municípios mineiros possuem Aterros Sanitários (ATs) ou Usinas de Triagem e Compostagem (UTCs) regularizados. Outras 386 cidades ainda fazem uma destinação de resíduos sólidos urbanos irregulares (por meio de lixões). As 76 restantes estão em processo de regularização das Ats ou UTCs.

“Esse entendimento geral é um processo muito longo, trabalhoso, e estamos lidando com isso há algum tempo. Percebemos que existe uma evolução grande, mas como depende da mudança de postura de cada pessoa é demorado mesmo. Mas está crescendo. Quando começamos a fazer visitas em municípios, em 2004, que tínhamos 650 lixões em Minas Gerais, identificamos que tinham prefeitos que não sabiam nem para onde o resíduo da cidade estava indo. A população menos ainda. Tinham aqueles monstros nos inícios e fins de municípios, o pessoal achava feio mas considerava normal. Hoje, isso já incomoda mais. A questão ambiental já não é mais um assunto nebuloso e que ninguém conhece”, comentou Denise, de 59 anos, ao Sou Ecológico.

Por fim, a gestora deu um importante recado: “Temos uma cultura de entender que geramos lixo e pensar que geramos resíduo. A grande quantidade que geramos hoje pode voltar à cadeia produtiva, pode ir para outros caminhos, podemos citar economia circular e tudo mais. E se a gente gerar rejeito, que seja bem cuidado, bem tratado, e que seja algo que tenhamos até uma identidade, para que até o momento em que ele se transforme no solo que seja, ou outro processo de tratamento, que tenhamos orgulho de estar lidando com ele, e não simplesmente chamá-lo de lixo e jogá-lo na calçada e ficar por isso mesmo”.

Denise em palestra para o público (Foto: Matheus Muratori/Sou Ecológico)
Denise em palestra para o público (Foto: Matheus Muratori/Sou Ecológico)

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