Lixo e entulho dão lugar a hortaliças em BH

Inspiração
Publicado em: 26/11/2018

Terra, luminosidade, água e disposição para cultivar. Não é preciso muito para transformar terrenos vagos em locais produtivos. Mas antes de lançar as sementes, é preciso fazer reuniões e definir atribuições. É dessa forma que a Prefeitura de Belo Horizonte, com o apoio da comunidade, está dando nova destinação a áreas públicas sujeitas à deposição clandestina de lixo ou invasões.

Se por um lado não são necessários muitos recursos, planejamento e persistência são essenciais. É preciso escolher o terreno, cercar, limpar a área e preparar os canteiros. Reunindo-se desde janeiro para discutir o projeto, um grupo de moradores do bairro Milionários, na região do Barreiro, colhe agora os frutos de sua dedicação.

Aparecida Tibúrcio faz parte do Conselho da Horta Comunitária. Ela conta que já houve duas colheitas, mas destaca a importância da perseverança. “Estamos só começando e vemos que é um exercício de dedicação. Os resultados vêm com o tempo”, avalia.

Outros bairros da capital mineira também têm se organizado. No Tirol, também na região do Barreiro, uma área de mais de mil metros quadrados sem destinação definida e frequentada por usuários de drogas, ganhou novos ares.

“Fomos à Coordenadoria de Atendimento Regional, preenchemos formulários e oficializamos o uso do espaço em nome da associação. No começo das discussões eram cerca de 20 pessoas. Agora, trabalhando efetivamente no cultivo, somos 15”, explica o presidente da Associação de Moradores do bairro, Edson Amorim.

O terreno antes cheio de lixo, agora tem canteiros com couve, rúcula e cebolinha. “A comunidade já compra o nosso excesso de produção, mas a ideia é ampliar bastante dentro de quatro meses: acabamos de receber novas mudas. Planejamos expandir para outra área e também começamos a produzir hortas em caixotes, para quem quiser cultivar em casa”, conta Edson.

Adubação orgânica

A adubação é toda orgânica. O grupo se divide em uma escala de plantio, cuidado dos canteiros e colheita. Cada voluntário trabalha pelo menos sete horas por semana. Os moradores do entorno apoiam a nova destinação do espaço. “Sempre recebemos doações de mudas, de madeira e de ferramentas. Temos tido muita cooperação da vizinhança”, destaca a voluntária Vanilda Campos.

Além de modificar hábitos alimentares e fortalecer vínculos comunitários, a prática resgata conhecimentos e possibilita novos aprendizados. A escolha das hortaliças e todo o processo de planejamento e execução da horta é feito com a participação direta do grupo.

A Prefeitura dá suporte em todas as etapas, desde a mobilização até o preparo do terreno, passando pelo apoio técnico e doação das mudas. Os moradores também recebem acompanhamento da Emater e da Secretaria Municipal de Assistência Social, Segurança Alimentar e Cidadania.

Ganhos coletivos

A criação das hortas comunitárias traz vários benefícios para a cidade. “Além de comercializarem o que produzem, promovendo o acesso à alimentação fresca e orgânica para outras pessoas, as hortas contribuem para evitar a invasão e a deposição clandestina de lixo em áreas públicas”, destaca o coordenador de Atendimento da Regional Barreiro, Walmir Mattos.

“O custo que a Prefeitura tem para manter essas áreas livres de lixo descartado clandestinamente é muito alto, sem contar as implicações para a saúde e a segurança de quem mora no entorno. O meio ambiente também agradece”, conclui.

Interessados em implementar o projeto em suas comunidades devem formalizar a solicitação nas regionais da prefeitura. O pedido pode ser feito por pessoas físicas, grupos ou entidades.

Fonte: PBH


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