Estudo aponta que lixões são responsáveis pela produção de 6 milhões de toneladas de gás de efeito estufa ao ano

Levantamento foi divulgado nessa quarta-feira (5), Dia Mundial do Meio Ambiente
Matheus Muratori - redacao@souecologico.com
Meio Ambiente
Publicado em: 06/06/2019

Um estudo divulgado pelo Departamento de Economia do Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana (Selurb) apontou que os lixões são um dos principais parceiros do aquecimento global em larga escala. Segundo o levantamento, divulgado nessa quarta-feira (5), Dia Mundial do Meio Ambiente, essa forma inadequada de disposição final de resíduos sólidos, aliada à queima irregular de detritos, respondem por cerca de 6 milhões de toneladas de gás de efeito estufa ao ano - CO2eq.

Formação dos gases nos lixões (Foto: Divulgação/Inovar Ambiental)
Formação dos gases nos lixões (Foto: Divulgação/Inovar Ambiental)

Esse montante de CO2eq equivale à quantidade gás gerado por 3 milhões de carros movidos a gasolina anualmente. O economista do Selurb, Jonas Okawara, traçou comentários sobre o levantamento.

“Os resultados expressivos revelam um descaso em relação a uma questão que, muitas vezes, é invisível, que é a destinação inadequada de resíduos, mas que apesar de ser aparentemente invisível, impacta de uma maneira profunda na sociedade, principalmente em termos ambientais”, disse, à Agência Brasil.

Tal resultado é baseado em um cruzamento de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) a partir de um cálculo sugerido pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, pela sigla em inglês), da Organização das Nações Unidas - ONU.

Outro gás produzido pela decomposição dos resíduos é o metano - CH4. De acordo com o Selurb, ele poderia ser revertido em biogás para produção de energia elétrica em aterros sanitários apropriados. Na quantidade apresentada pelo estudo, seria possível abastecer a área residencial de uma cidade com 600 mil habitantes.

Segundo o sindicato, uma primeira ação para evitar o aumento de produção desses gases e consequente agravação do aquecimento global seria o fim dos “cerca de três mil lixões existentes no país e instalação de cerca de 500 aterros sanitários capazes de fazer toda a gestão dos resíduos”.

Junto da PwC (PricewaterhouseCoopers), o Selurb apontou que 53% dos municípios do Brasil destinam o lixo incorretamente para vazadouros clandestinos; a cobertura dos serviços de limpeza urbana (coleta porta a porta) está longe da universalização (76%); 61,6% dos municípios ainda não estabeleceram fonte de arrecadação específica para custear a atividade; e o índice de reciclagem no país não passa dos 3,6%.

Por fim, Okawara salienta que planejamento e união dos poderes públicos podem ajudar no combate ao aquecimento global, além de punições mais contundentes. “Hoje não vai pra frente porque não tem punição mais severa em relação não só aos prefeitos, mas a sociedade em si. A sociedade não tem um engajamento necessário para fazer com que o tempo dos resíduos sólidos possa evoluir da maneira como o tema demanda”.


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