Manchas de óleo no Nordeste completam dois meses de aparição sem respostas das autoridades

Ainda não se tem certeza da origem do material e nem o responsável pelo vazamento
Matheus Muratori - redacao@souecologico.com
Meio Ambiente
Publicado em: 30/10/2019

O Nordeste do Brasil completa, nesta quarta-feira (30), dois meses de sofrimento com o vazamento de óleo na região. O material, que ainda não teve sua origem descoberta nem o responsável pelo derramamento, já atingiu 268 localidades, em 94 municípios dos nove estados do Nordeste.

Ainda não se sabe de onde vazou o óleo que atinge as praias nordestinas. Porém, pesquisadores já apontaram que o vazamento ocorreu no oceano, em uma área entre 600 e 700 quilômetros de distância da divisa entre Sergipe e Alagoas. Uma das hipóteses é que o óleo foi extraído de três campos na Venezuela e, provavelmente, estava sendo transportado quando ocorreu o acidente, mas isso ainda não foi confirmado.

Ainda não se tem noção do prejuízo que o vazamento de óleo trará ao meio ambiente (Foto: Adema/Governo de Sergipe)
Ainda não se tem noção do prejuízo que o vazamento de óleo trará ao meio ambiente (Foto: Adema/Governo de Sergipe)

A fim de tentar encontrar a origem do óleo, o governo federal já notificou 11 países cobrando esclarecimentos sobre 30 navios mapeados dentro da investigação. "[O vazamento] é maior agressão ambiental sofrida por nosso país, creio eu, em nossa história", declarou o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, nessa terça-feira (29).

Todas as regiões do Nordeste apresentam rastros das manchas. A limpeza dos locais atingidos têm mobilizado populares voluntários além de autoridades, como Marinha do Brasil, Agência Nacional de Petróleo (ANP) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Polícia Federal, Petrobras, Defesa Civil, Exército e Força Aérea Brasileira também atuam na retirada do material. Mais de mil toneladas do produto, numa extensão de 2,5 mil quilômetros, já foram coletados.

Falsas acusações

Além disso, o Ministério do Meio Ambiente protagonizou momentos deploráveis ao questionar se Organizações Não-Governamentais (ONGs) estariam envolvidas com o derramamento. O chefe da pasta, Ricardo Salles, indicou que o Greenpeace fosse responsável pelo caso, mas sem nenhuma prova. A situação causou revolta entre as instituições.


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