Mesmo desidratado, ora-pro-nóbis mantém elevado teor de proteína

Índice proteico é superior a 20%, segundo pesquisa feita pela UFMG
Saúde
Publicado em: 05/09/2018

O ora-pro-nóbis é um velho conhecido da população de Minas Gerais. Essa hortaliça, tradicionalmente usada na culinária mineira, é fonte de vitaminas e tem alto teor proteico, características que não se perdem mesmo quando a planta é desidratada. Pesquisa realizada no campus Montes Claros, da UFMG, constatou que suas folhas contêm 22% de proteína bruta na matéria seca, índice considerado elevado pelo grupo que estuda a espécie.

O objetivo dos pesquisadores era descobrir um processo de desidratação do vegetal que pudesse ser executado por qualquer pessoa, em casa. Foram experimentados dois métodos, um com a desidratação em estufa laboratorial, e o outro à luz solar. De acordo com a professora Neide Judith de Oliveira, após o procedimento, foram feitos testes de presença de sujidades, avaliação microbiológica e caracterização da composição nutricional.

“Os vegetais desidratados pelas duas vias, tanto na estufa quanto na exposição ao sol, mantiveram as principais qualidades nutricionais das folhas verdes, em termos de proteínas, minerais, lipídios e carboidratos totais. Além disso, seu tempo de prateleira [expressão usada no comércio para designar a vida útil de um alimento perecível] aumentou”, explica a professora. Ela destaca que a hortaliça é alternativa para substituição de proteína animal.

Segundo Neide de Oliveira, o ora-pro-nóbis oferece diversos benefícios para a saúde, tais como a alta presença de proteínas e também de mucilagem, tipo de fibra que melhora o funcionamento do intestino, além de oferecer aminoácidos essenciais.

Arquivo pessoal

O diferencial do ora-pro-nobis em relação a outras hortaliças é o seu cultivo facilitado, uma vez que demonstra grande tolerância à seca, característica que permite a fixação da planta na região do Norte de Minas, mesmo em períodos de escassez hídrica. Neide de Oliveira acrescenta que a hortaliça tem ainda a vantagem de crescer em solo pobre e o fato de ser multifuncional: além de alimentícia, é usada como cerca viva, serve para a contenção de áreas degradadas e apresenta várias propriedades terapêuticas.

“Um resultado importante da pesquisa é a exequibilidade da técnica, ou seja, ela pode ser executada com métodos simples na casa do produtor agrícola se ele tomar os cuidados necessários no preparo dos alimentos”, detalha a professora.

A intenção é que, a partir dos resultados do trabalho, os produtores rurais possam, após a desidratação, aproveitar o excedente da produção. A pesquisadora também acredita que, no futuro, o ora-pro-nóbis desidratado poderá ser comercializado, a exemplo de temperos e outros vegetais.

Fonte: UFMG


Postar comentário