Minas Gerais pode ocupar papel de destaque na produção de bioquerosene

Zona da Mata pode vir a produzir 230 milhões de litros de combustível verde em 2031
Da redação* - redacao@souecologico.com
Aviação
Publicado em: 23/08/2019

A produção de combustível verde a partir da extração de óleo vegetal da macaúba, planta nativa do território nacional e abundante na Zona da Mata mineira, pode ser uma saída para alavancar a economia do Estado de forma ambientalmente sustentável.

A avaliação é dos participantes da audiência pública conjunta das Comissões de Assuntos Municipais e Regionalização e de Desenvolvimento Econômico da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizada nesta quinta-feira (22/08). O objetivo da reunião foi debater a Plataforma de Bioquerosene e Renováveis da Zona da Mata, conhecida como Projeto Macaúba.

Com o projeto, a Zona da Mata poderá produzir 230 milhões de litros de bioquerosene de aviação em 2031, acredita Felipe Morbi, da empresa Soleá, uma das entidades envolvidas na elaboração da plataforma.

Em sua exposição, ele destacou que, ao contrário da Indonésia, onde o cultivo da palma destrói a floresta tropical, a macaúba, que é também uma espécie de palmeira, recupera áreas degradadas e as bacias hidrográficas.

Para o representante da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Rogério Benevides Carvalho, “o projeto é estratégico para o setor e para o desenvolvimento nacional, e o tema ambiental é extremamente atual e de relevância global”.

Aviação consome mais de quatro milhões de toneladas de combustível fóssil por ano

Atualmente, o Brasil transporta 117 milhões de passageiros em voos domésticos e internacionais e essa curva é ascendente, devendo chegar a 200 milhões em 2025, prevê Roney Sanggioro Glanzmann, secretário Nacional de Aviação Civil. Segundo ele, toda essa movimentação consome mais de quatro milhões de toneladas/ano de combustível fóssil, podendo chegar a mais de 14 milhões até 2050.

“Então, um biocombustível seguro, de altíssima tecnologia, tem o nosso apoio, porque é urgente e necessário. Desde 2010 o País assumiu compromisso internacional com a redução de emissão de gases e, a partir de 2020, temos que garantir crescimento neutro em emissão de carbono; caso contrário, vamos ter que comprar créditos de carbono e isso vai onerar ainda mais a indústria de aviação”, explicou Glanzmann.

A macaúba é planta nativa e abundante na Zona da Mata e pode ter aplicação também na culinária e na cosmética - Foto: Ricardo Barbosa/ALMG
A macaúba é planta nativa e abundante na Zona da Mata e pode ter aplicação também na culinária e na cosmética - Foto: Ricardo Barbosa/ALMG

Pesquisa e desenvolvimento social

Rômulo Veiga, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Juiz de Fora, acentuou os benefícios sociais do projeto, afirmando que, apesar do alto índice de desenvolvimento e do seu PIB expressivo, o municípío tem mais de 70% de seu território situados na zona rural, empobrecida. O mesmo foi ressaltado também por Jackson Fernandes Moreira Júnior, coordenador da Plataforma de Bioquerosene e Renováveis da Zona da Mata, da Prefeitura de Juiz de Fora.

* Com informações da ALMG.


Postar comentário