Minas Gerais poderá ganhar hidrovias em Furnas e Três Marias

Programa "Diálogos Hidroviáveis", do DNIT, busca integrar as iniciativas em prol do desenvolvimento sustentável desse modal
Da Redação / redacao@revistaecologico.com.br
Desenvolvimento Sustentável
Publicado em: 26/06/2019

Durante reunião da Comissão de Esporte, Lazer e Juventude da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT), Paulo Bustamante, pediu o apoio da Comissão para que Minas Gerais entre de vez no circuito das hidrovias brasileiras. Esse é o objetivo do programa "Diálogos Hidroviáveis", que vem sendo conduzido pela empresa Executiva Promoções, por encomenda do DNIT, e que contempla a navegação associada à geração de energia, ao turismo, à promoção social e ao desenvolvimento sustentável regional.

“O grande gargalo da hidrovia no Brasil é a falta de mão de obra. Esse projeto, além da promoção social de crianças e adolescentes, cria consciência ambiental e oportunidades de empreendedorismo ligado ao turismo ou aos esportes náuticos. A canoagem e a vela não precisam ocorrer apenas no litoral”, pontuou Bustamante. Em Minas, os Lagos de Furnas (Sul/Centro Oeste) e de Três Marias, na região central do Estado, por exemplo, são locais que têm condições para receber hidrovias. Lá, estruturas demandariam, basicamente, sinalização e balizamento. Isso permitiria, também, a navegação noturna, além da delimitação de espaços para prática de modalidades esportivas, sem contato com a navegação. “É como você ter um asfalto sinalizado, em contraposição a uma estrada de chão”, comparou o diretor-geral.

Foto: Luiz Santana
Foto: Luiz Santana

Ele também solicitou à Comissão apoio para retomar o Projeto Versol - Vale, Remo, Responsabilidade Socioambiental e Lazer. Implantado há 2010 em Três Marias, o projeto foi idealizado pela Cemig e pela prefeitura local e tinha apoio do velejador Lars Grael. “O Versol foi descontinuado por falta de ajustes institucionais, mas a ALMG tem essa função aglutinadora e poderia garantir também a longevidade do projeto”, aponta Bustamante. O presidente da comissão, deputado Zé Guilherme (PRP), prometeu apoiar a volta da iniciativa. “Temos de retomar o esporte em Minas, que está combalido, e o esporte náutico ainda mais”, frisou.

Hidrovias em debate

Entre os dias 21 e 27 de julho próximo, as hidrovias serão debatidas em uma série de eventos no Estado. Há previsão de reuniões em Boa Esperança e Alfenas, no Sul de Minas, e Três Marias, além de Pirapora (Norte de Minas), onde começa o trecho navegável do Rio São Francisco. Em cada encontro, as peculiaridades e potencialidades locais serão destacadas.O objetivo, segundo Paulo Bustamante, é apresentar o atual estágio de implantação da infraestrutura hidroviária, seu planejamento, entraves e impactos, com vistas à adoção de medidas de curto e médio prazo para o fomento do modal.

Segundo ele, estudos preliminares feitos em 2013 apontaram o custo de R$ 10 milhões para implantação das hidrovias em Furnas e Três Marias, contra R$ 1,6 bilhão no trecho navegável do São Francisco, entre Pirapora e a divisa de Bahia e Pernambuco. “O que encarece é a explosão de rochas e a dragagem, o que não precisa ser feito nos lagos”, explicou o empresário.

A relação com o turismo também foi destacada, uma vez que 30% do Produto Interno Bruto (PIB) da navegação vem do setor. Segundo Bustamente, há uma grande disposição dos municípios para a implantação do projeto, justamente porque o turismo é uma oportunidade em tempos de crise. “Daí a importância da formação de mão de obra, de uma cadeia produtiva ligada à navegação”, reiterou.

(*) Com informações da ALMG.


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