Ministros com perfis semelhantes vão chefiar Meio Ambiente e Agricultura

Indicados por Bolsonaro têm grande proximidade com agronegócio
Da Redação / Ecológico - redacao@revistaecologico.com.br
Política
Publicado em: 10/12/2018

A proposta de juntar os ministérios de Meio Ambiente e Agricultura não prosperou. Apesar das promessas (ou ameaças, a depender do ponto de vista) feitas ainda durante a campanha eleitoral, as pastas devem mesmo manter suas estruturas separadas no governo de Jair Bolsonaro (PSL).

Unir os dois ministérios ajudaria o presidente eleito a divulgar uma estrutura administrativa mais enxuta. Mais que isso, seria uma forma de evitar o que Bolsonaro classificou como uma disputa infrutífera entre os dois órgãos – muitas vezes, chefiados, na leitura dele, por políticos indicados por partidos com visões antagônicas.

Os sinais sempre foram muito claros. No plano de governo, uma das principais preocupações com relação à gestão das políticas voltadas ao meio ambiente tinha bases essencialmente econômicas, como a necessidade de agilizar os licenciamentos. E, em várias entrevistas, Bolsonaro criticou a “indústria das multas”, chegando a avisar que, mesmo se não promovesse a junção dos órgãos, poderia indicar pessoas com um perfil semelhante para as duas pastas.

Foi o que aconteceu. Nesse domingo (09/12), ele anunciou, pelo Twitter, a escolha de Ricardo de Aquino Salles para o Ministério do Meio Ambiente. Com a definição, o novo governo deve iniciar os trabalhos em janeiro com, ao menos, 22 ministros.

Comunicado de Bolsonaro no Twitter:

Comunico a indicação do Sr. Ricardo de Aquino Salles para estar à frente do futuro Ministério do Meio Ambiente.

— Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) 9 de dezembro de 2018

Prefil do indicado

O currículo de Ricardo Salles demonstra um alinhamento com as ideias defendidas pela deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS), indicada para a pasta de Agricultura. Com 43 anos hoje, o advogado, então filiado ao PP, foi secretário estadual do Meio Ambiente no governo de Geraldo Alckmin, entre julho de 2016 e agosto de 2017, e já ocupou, entre outros cargos, o de diretor jurídico da Sociedade Rural Brasileira.

A SRB enviou uma carta a Bolsonaro apoiando a indicação. “A entidade acredita que a experiência de Salles pode trazer modernidade, segurança jurídica e eficiência para a gestão da pasta do Ministério”, avalia Marcelo Vieira, presidente da associação.

Neste ano, filiado ao Partido Novo, Salles concorreu a uma vaga de deputado federal por São Paulo, mas não conseguiu se eleger. Atualmente, ele responde, ao lado de outras duas pessoas, por fraude no processo do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental da Várzea do Rio Tietê.

Ao site da Globo Rural, ele afirmou que é réu, mas que não há decisão contra ele. “São todas favoráveis a mim. Todas as testemunhas foram ouvidas, todas as provas produzidas e o processo está concluso para sentença, pode ser sentenciado a qualquer momento. Todas as testemunhas ouvidas, de funcionários do governo e fora, corroboraram a minha posição.”

Foto: Pedro Calado/Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo


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