Nascem quatro filhotes de pato-mergulhão

Projeto de reprodução da espécie começou a ganhar forma em 2012, com a criação do PAN (Plano Nacional de Conservação)
Educação Ambiental
Publicado em: 20/08/2018

O Zooparque Itatiba, em Itatiba (SP), registrou a primeira reprodução por meio natural de pato-mergulhão sob cuidados humanos. Quatro filhotes nasceram no dia 8 de julho, de ovos incubados pela primeira vez pelos próprios pais. O pato-mergulhão é uma das aves aquáticas mais raras e ameaçadas do mundo, com menos de 250 indivíduos na natureza. O Zooparque Itatiba é a única instituição no planeta que mantém essa espécie sob proteção.

O nascimento dos filhotes representa mais uma conquista para o PAN Pato-Mergulhão, coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) com o apoio de diversas instituições parceiras como o Zooparque, que buscam a reprodução da espécie, que já ganhou título de “símbolo das águas do Brasil”.

O sucesso reprodutivo foi possível graças aos esforços da Associação Natureza do Futuro, que tem sua sede no Zooparque Itatiba e desenvolve ativamente projetos focados na conservação de espécies ameaçadas da fauna nacional. Seu objetivo principal é a conservação do pato-mergulhão, sendo este um das mais importantes iniciativas de conservação de espécies ameaçadas do país.

O primeiro objetivo desse trabalho foi possibilitar o nascimento de indivíduos dessa espécie no zoo, proporcionando o aumento de sua população. A amostragem definida para o início da reprodução foi de cinco casais formados. Após esses pareamentos, ocorreram as primeiras posturas e os primeiros nascimentos de pato-mergulhão em um ambiente sob cuidados humanos, em 2017.

O Zooparque tem hoje 21 patos-mergulhões adultos. Até então, todos os indivíduos nascidos no zoo foram criados de maneira artificial, utilizando-se da infraestrutura de maternidade existente na instituição. Os ovos foram incubados artificialmente e os filhotes, criados manualmente. Neste ano, três casais fizeram a postura de ovos no zoo e, diferentemente do ano anterior, o processo de incubação ficou totalmente a cargo dos pais. Esta é a primeira vez que os casais foram responsáveis por todo o processo de reprodução.

PAN Pato-mergulhão

O projeto do pato-mergulhão começou a ganhar forma em 2012, com a criação do PAN (Plano Nacional de Conservação) do pato-mergulhão, instituído ICMBio, com monitoramento de um grupo de trabalho formado por órgãos do governo e instituições não-governamentais. Desde 2017, está em vigor o “2º Ciclo do PAN do pato-mergulhão”, cujo responsável é o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave).

O PAN conta com a parceria do Zooparque Itatiba e a Associação Natureza do Futuro, que desempenham um papel fundamental. Como parte da metodologia de trabalho, foi designada a essas duas instituições realizar o manejo e a reprodução desta espécie. Assim, teve início o projeto de conservação do pato-mergulhão no Zooparque Itatiba. A base desse projeto foi realizar a coleta de ovos em ambiente natural para serem incubados posteriormente no zoo. Esses ovos foram escolhidos para a coleta científica no Jalapão (TO), em Patrocínio (MG) e na Serra da Canastra (MG) por se tratarem de ovos que não teriam chances de eclosão.

O sucesso reprodutivo do pato-mergulhão demostra a importância da reprodução de espécies ameaçadas sob cuidados humanos. O foco principal de todo esse projeto é o aumento da população dessa ave, possibilitando, futuramente, a reintrodução das gerações nascidas no zoo em seu hábitat natural.

No Zooparque, os patos-mergulhões são mantidos em recintos fechados à visitação, em uma área de 100 m2 para cada casal, lagoa artificial de água corrente, vegetação e ninho em tronco de madeira e cavidades naturais nos recintos. São monitorados por câmeras 24 horas por dia. A alimentação é balanceada com ração e alevinos de lambaris vivos colocados nas lagoas para estimular o comportamento natural da espécie. Os visitantes podem vê-los através de um centro audiovisual instalado na maternidade.

Ave ameaçada

O pato-mergulhão é uma das aves aquáticas mais ameaçadas do mundo, considerada “criticamente em perigo de extinção” em nível global segundo a IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza). Hoje, existem menos de 250 aves em vida livre e esse número está diminuindo. A espécie só é encontrada em regiões da Serra da Canastra (MG), Patrocínio (MG), Chapada dos Veadeiros (GO) e no Jalapão (TO), em áreas com unidades de conservação geridas pelo ICMBio.

A ave depende de águas limpas e transparentes porque se alimenta somente de peixes, e por isso precisa ter boa visibilidade debaixo d’água para conseguir mergulhar e caçar. Daí o nome pato-mergulhão. Os mergulhões gostam de rios com corredeiras e vegetação nas margens. São extremamente afetados pela degradação das águas. Por esse motivo, eles são considerados bioindicadores: a presença da espécie indica que aquele ecossistema está em equilíbrio.

Devido à grande importância da conservação da espécie, o pato-mergulhão recebeu, no “8º Fórum Mundial da Água”, em março deste ano, em Brasília, o título de "símbolo das águas do Brasil". Quando se fala na conservação do pato-mergulhão fala-se na conservação de toda a biodiversidade e na conservação das principais nascentes dos rios que abastecem a população.

Fonte: ICMBio


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