O significado espiritual da crise

Como as mensagens de Eva Pierrakos, criadora do método Pathwork, podem explicar o momento de transformação econômica que vivemos
Ana Elizabeth Diniz - redacao@revistaecologico.com.br
Ecologia Interior
Publicado em: 08/03/2019

Cada indivíduo cria a sua realidade em função do que pensa, de como sente e como age no mundo exterior. A partir daí, mesmo inconscientemente, ele sentencia a sua existência. Escolhas fazem a maior diferença. Essa é a visão do Pathwork, método de autoconhecimento e desenvolvimento espiritual “que nos leva em direção à nossa essência. Trabalhamos com base em 258 textos, denominados ‘Palestras do Guia’, canalizadas por Eva Pierrakos nos Estados Unidos entre 1957 e 1979. Essas palestras se referem à natureza da nossa realidade interior e espiritual e apresentam temas profundos que são trabalhados em uma linguagem simples e objetiva”, explica Silvia Gazola, gaúcha, mas há 40 anos em Belo Horizonte. Ela é socióloga e facilitadora autorizada de Pathwork há 14 anos.

Para Silvia, o ser humano traz dentro de si muita negatividade, “uma massa cristalizada, geralmente inconsciente, que impossibilita o desenvolvimento dos nossos potenciais, uma vez que há pouca ou nenhuma consciência do que estamos criando. Quando começamos a ampliar nossa consciência e a ver as premissas falsas sobre as quais estávamos atuando, podemos fazer uma escolha diferente e mudar nossa vida. Por exemplo, se eu me sinto insatisfeita com minha vida profissional e vou ‘tocando o barco’, aceitando um salario incompatível com as minhas necessidades ou com o meu talento e, com preguiça de procurar algo novo, ser demitida, pode ser a crise que eu precisava para olhar dentro de mim, revisar sentimentos e conceitos e fazer uma bela mudança: para melhor. A força de autoperpetuação dos estados negativos acaba levando a um colapso ou uma ruptura e eles encontram seu próprio fim. Desse modo, a pessoa não tem mais como evitar a mensagem trazida pela crise”.

Foto: Domínio Público
Foto: Domínio Público

A crise, segundo as palestras do guia, “é a forma que a natureza e a ordem cósmica têm de nos levar a mudanças necessárias. A transformação que tanto buscamos só é possível pelo reconhecimento que passarmos a ter sobre como criamos realidades inadequadas. Observando criteriosamente os “ingredientes” de nossas crises, podemos aprender com elas. Sempre que nos sentimos infelizes, insatisfeitos e desesperançados, existe uma concepção errônea por detrás disso. A crise seria então um sinalizador de que há alguma coisa errada em nossas crenças, nossas atitudes e em nossos padrões”, pontua Silvia.

Na medida em que alguns sintomas se tornam mais sérios, exigindo uma mudança, “Somos forçados a olhar nossas distorções, nosso círculo vicioso negativo que criou determinada realidade e fazer uma correção de rota. Portanto, espiritualmente falando, a crise visa romper velhas estruturas baseadas em conclusões falsas e em negatividades, de modo a possibilitar a mudança. Nesse sentido, proporciona um novo equilíbrio, um realinhamento com a verdade, um aprendizado e a possibilidade da cura em alguma área de nossa vida”, emenda a facilitadora.

E o momento atual que a humanidade está passando é um importante ponto de referência para uma reflexão, para se entender que mudanças estruturais se fazem necessárias. “Negatividades como ganância, desonestidade, egoísmo e materialismo excessivo entre as nações levaram a estados dolorosos (dívidas, caos emocional) e enormes perdas (de emprego, moradia, e sem mencionar as perdas financeiras). No âmbito dos governos, lutas pelo poder, corrupção, falta de limites e irresponsabilidade na condução da coisa pública levaram a uma desorganização generalizada, à quebra de bancos e outras instituições, afetando a sociedade como um todo. Se conseguirmos aprender as lições proporcionadas por essa crise mundial e efeituar as mudanças necessárias, estaremos dando um grande passo para o futuro de todos nós”, espera Silvia.

TRANSFORMAR É PRECISO

Mas nem sempre esse exercício é assim tão simples. Falta consciência às pessoas. Como desencravar verdades necessárias e transformadoras que ainda estão em nosso subsolo?

“Fazendo preces e uma revisão diária, meditando, ativando o eu observador além de uma investigação interna, honestidade e vontade alinhada com a busca da verdade. É preciso ser como o jardineiro: preparar a terra, remover as pedras e ervas daninhas e daí então fazer a semeadura. Não é um trabalho fácil nem rápido. Muito pelo contrário: demanda tempo e paciência. Mas posso assegurar que funciona, pois tenho colhido os frutos da transformação em mim mesma nesses muitos anos de estudos de Pathwork”, ressalta Silvia.

Mas, em momentos de crise, muitas vezes é difícil encontrar forças para vencer a imobilidade, o engessamento dos sentidos. Silvia aconselha que essa tentativa não pode ser feita individualmente, “porque o ego não consegue esse feito. Nossa dificuldade em mudar, nossa resistência baseia-se em grande parte no fato de que o homem se esquece que não pode mudar sem ajuda divina. Primeiro, precisamos querer mudar e daí rezar para que o divino interior torne a mudança possível. Mas precisamos nos abrir para isso, numa atitude receptiva, de confiança e entrega, comprometidos com a verdade. A força então é encontrada na inteligência universal que habita dentro de nós. Estar em um grupo é de grande valia nessa busca de crescimento”.

O guia sugere que a melhor forma de lidar com a crise é considerar toda e qualquer dificuldade em sua vida e perguntar qual é o seu significado. E, para isso, duas perguntas são importantes: o que eu não quero ver? O que não quero mudar dentro de mim? “Se entendermos nossas próprias crises, se desafiarmos a perspectiva limitada que temos de um problema em particular, se abrirmos mão de certos apegos e conseguirmos encarar nossas questões e fazer as mudanças necessárias, a crise terá cumprido o seu papel em nossa vida”, pontua a socióloga.


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