Obras da Vale no Rio Paraopeba serão fiscalizadas por empresa independente

Mineradora construirá um novo ponto de captação de água no rio
Matheus Muratori - redacao@souecologico.com
Mineração
Publicado em: 10/07/2019

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) chegou a um acordo com a mineradora Vale para contratação de uma auditoria técnica e ambiental independente que fiscalizará as obras do novo ponto de captação de água do Rio Paraopeba. Um termo de compromisso tratando do assunto foi assinado na última segunda-feira (8). A empresa escolhida para fazer o serviço é a Aecom, e todos os custos são de responsabilidade da mineradora.

Rio Paraopeba contaminado pelo rompimento de uma barragem, em Brumadinho (Foto: Christian Braga/Brumadinho)
Rio Paraopeba contaminado pelo rompimento de uma barragem, em Brumadinho (Foto: Christian Braga/Greenpeace)

A captação de água da Aecom deverá ser construída antes do ponto em que o manancial foi contaminado pelos rejeitos que vazaram pelo rompimento da barragem 1 do Córrego do Feijão, em Brumadinho, Região Metropolitana de Belo Horizonte, em 25 de janeiro deste ano. Responsável pela distribuição de água de vários municípios mineiros, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) considera a ação necessária.

A estatal diz que, com o cancelamento da captação que era realizada no trecho contaminado, há chance de desabastecimento de parte da Região Metropolitana em 2020. Na última semana, depoimentos de representantes da Copasa na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada pela Câmara Municipal da capital mineira fizeram com que o assunto fosse tocado novamente. Ela investiga o impacto da tragédia em BH. Se os níveis de chuva do próximo verão forem similares aos da crise hídrica de 2013, um racionamento pode ser necessário.

Em maio deste ano, a Vale concordou com a realização da obra no Rio Paraopeba. A previsão é de que o novo ponto de captação de água esteja pronto até setembro de 2020. Conforme o acordo celebrado na segunda-feira, a Aecom deverá verificar a adequação, efetividade e eficiência das medidas a serem implementadas pela Vale para o restabelecimento da captação, não apenas na região metropolitana, mas em todos os municípios que enfrentam ou vierem a enfrentar dificuldades devido ao rompimento da barragem.

A Vale também se comprometeu a desenvolver ações para proteger a integridade do sistema de distribuição em funcionamento, considerando o risco de ruptura de outras estruturas. O governo de Minas Gerais, a Copasa e o Ministério Público Federal (MPF) também assinaram o termo de compromisso como intervenientes do acordo. Foi fixada a multa diária de R$100 mil caso a Vale descumpra as medidas negociadas.

Em nota, a mineradora informou que vem mantendo reuniões periódicas com a Copasa para discutir medidas necessárias à continuidade do fornecimento de água nos municípios afetados pela tragédia. "A empresa se compromete a contratar uma auditoria externa para analisar o projeto de construção de um sistema alternativo de abastecimento para a região metropolitana de Belo Horizonte", reitera o texto divulgado pela Vale.


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