ONGs criticam nova alta do desmatamento na Amazônia

Greenpeace, WWF-Brasil e Observatório do Clima criticaram a atual política ambiental do Brasil
Matheus Muratori - redacao@souecologico.com
Meio Ambiente
Publicado em: 19/11/2019

Os números divulgados nessa segunda-feira (18) relacionados ao desmatamento na Amazônia comprovaram que o Brasil deve, novamente, se preocupar com a situação. Entre junho e agosto deste ano, antes da crise das queimadas, o corte de árvores na região gerou, além da questão ambiental, problemas políticos. Diante disso, diversas Organizações Não-Governamentais (ONGs) criticaram a política ambiental do país.

Desmatamento aumentou em 29,54%, o equivalente a quase 10.000 km² (Foto: Fábio Nascimento/Greenpeace)
Desmatamento aumentou em 29,54%, o equivalente a quase 10.000 km² (Foto: Fábio Nascimento/Greenpeace)

O Greenpeace diz que "o desmonte das políticas ambientais e o aumento do desmatamento não afetam apenas as populações que vivem na floresta, mas também a reputação do país no mercado internacional. Este ano, no auge da temporada de fogo e diante da inação do governo em combatê-lo, diversas empresas anunciaram a suspensão de compra de produtos brasileiros e lideranças internacionais apresentaram resistência em aprovar o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. O mercado internacional, do qual a economia do Brasil depende, já não quer mais ter participação no desmatamento e em violações de direitos humanos".

Já para o Observatório do Clima, "o dado é decorrência direta da estratégia implementada por (Jair) Bolsonaro de desmontar o Ministério do Meio Ambiente, desmobilizar a fiscalização, engavetar os planos de combate ao desmatamento dos governos anteriores e empoderar, no discurso, criminosos ambientais. O próprio presidente já declarou, com orgulho, que havia mandado seu antiministro do Ambiente, Ricardo Salles, 'meter a foice no Ibama'. Salles obedeceu".

Por fim, para o WWF, "a divulgação dos dados do Inpe chega num momento em que medidas que historicamente ajudaram a evitar a expansão agropecuária sobre a floresta estão sendo anuladas pelo Governo Bolsonaro. Há uma semana, o Zoneamento Agroecológico da Cana foi simplesmente revogado, liberando a concessão de crédito público subsidiado para financiar a plantação em áreas recentemente desmatadas na Amazônia. Além disso, diversas autoridades do Governo Federal vêm anunciando que tomarão medidas para acabar com a Moratória da Soja na Amazônia, o que pode voltar a colocar essa commodity na lista suja dos destruidores de floresta".

Os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que, no período de agosto de 2018 a julho de 2019, o desmatamento da Amazônia Legal foi estimado em 9.762 quilômetros quadrados (km²). A área de vegetação nativa desmatada aumentou 29,54% em relação ao período anterior – de agosto de 2017 a julho de 2018.

De acordo com o alerta do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), que monitora diariamente a área amazônica, a previsão de desmatamento em 2019 seria de 6,8 mil km². Entretanto, o relatório do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes) mostrou que 9.762 km² de área de vegetação nativa foram destruídos. De acordo com os registros do Inpe, o índice é o maior desde 2008 (quase 13 mil quilômetros de mata devastada).


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