Parlamento Jovem de Minas aponta questões hídricas como desafio para 2020

Grupo debate temas de todas as regiões do Estado relacionados a meio ambiente e desenvolvimento sustentável
Da redação* - redacao@souecologico.com
Política
Publicado em: 05/12/2019

Esgoto a céu aberto, construções irregulares às margens das nascentes, escassez de água, uso não sustentável dos recursos, má gestão pública. Coordenadores do Parlamento Jovem de Minas (PJ Minas) 2020, que participaram de curso de formação, nesta quarta-feira (04) na Assembleia de Minas, apontaram as questões hídricas como as que mais afligem diferentes regiões do Estado.

O tema do PJ Minas 2020 é Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Já os subtemas incluem, além da discussão sobre os recursos hídricos e saneamento básico, as mudanças climáticas e proteção da biodiversidade; e as práticas sustentáveis e desenvolvimento econômico.

Representantes de 126 câmaras municipais mineiras que atuarão como coordenadores foram divididos em três turmas. A segunda delas participa das atividades nesta quarta e quinta-feira (5) na ALMG.

O encontro reúne representantes dos municípios da região Norte de Minas, Vale do Jequitinhonha/Mucuri, Triângulo, Noroeste, dentre outras. Os integrantes foram recebidos pelo presidente da Comissão de Participação Popular, deputado Doutor Jean Freire (PT).

O parlamentar falou sobre sua expectativa de que os estudantes entreguem à comissão, ao final de 2020, propostas de enfrentamento a esses problemas, após a construção coletiva de conhecimento e trocas de perspectivas entre eles.

Ele ressaltou a importância de que os jovens busquem a resolução dos impasses sobre as questões públicas por meio do exercício da cidadania, “e isso não se faz com a negação da política”. “O Parlamento Jovem nos auxilia nessa compreensão”, enfatizou o deputado.

Força dos debates ambientais

Para os coordenadores do PJ Minas, as questões ambientais que mais afetam a população de seus municípios e suas regiões devem ganhar força nos debates, ao longo das etapas do programa. Dentre elas, os problemas relacionados ao consumo, tratamento e à preservação das águas foram lembrados com frequência.

Maria Salomé da Cruz Sampaio e Ludmila Oliveira Carvalho, representantes de Capelinha, no Vale do Jequitinhonha, afirmam que, dentre as preocupações dos estudantes, o córrego Areão que recebe esgoto in natura provavelmente será alvo de discussões e propostas.

Elas explicam que o curso d’água, degradado pela prática, atravessa a cidade e já desperta a indignação dos cidadãos há tempo. As plantações de café e eucalipto, segundo elas, também devem merecer atenção, uma vez que consomem grande volume de água na região e implicam ainda desmatamentos, o que interfere na conservação dos mananciais.

Coordenadores do PJ Minas participam de curso sobre a dinâmica da próxima edição do programa - Foto: Daniel Protzner / ALMG
Coordenadores do PJ Minas participam de curso sobre a dinâmica da próxima edição do programa - Foto: Daniel Protzner / ALMG

Maria Salomé, que há 10 anos participa do PJ Minas, disse que os estudantes que integram o projeto, em geral, saem transformados. E parte dessa transformação se dá pelas vivências propiciadas nessa trajetória. Para 2020, ela já está articulando uma visita ao lixão da cidade com os alunos. “Nós não temos um aterro sanitário até hoje e sabemos que o descarte inapropriado dos resíduos traz prejuízos ao ambiente e à população”.

Os desmatamentos, as construções clandestinas nas margens dos córregos e ainda o despejo de esgoto nos cursos d’água de Paracatu (Noroeste) preocupam o coordenador estreante André Alves dos Santos. O município vai participar pela primeira vez do Parlamento Jovem.

Ele informa que os impactos ambientais, ao longo tempo, contribuem para o desabastecimento da cidade. O servidor municipal conta que, diversas vezes, a prefeitura precisou contratar caminhões-pipa para garantir água aos cidadãos.

A falta de abastecimento é uma questão recorrente também em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Monique Helen Silvério, coordenadora do município ingressante no programa, explica que a câmara municipal já vem questionando a Copasa, mas não foram implementadas ainda providências.

Ela explicou ainda que a principal atividade econômica gira em torno da indústria. Para a assessora parlamentar, esse aspecto, provavelmente, será levado em conta pelos estudantes, uma vez que o uso de filtros e de outras medidas para reduzir a poluição deve ser objeto de fiscalização.

Já o coordenador José Mauro de Freitas, de Iturama, do Triângulo, disse acreditar que a atividade canavieira, destinada à produção de álcool e açúcar, vá pautar as discussões. Participante do PJ Minas há 10 anos, ele pondera que o setor trouxe benefícios para a cidade e região, mas que transformou, sobretudo nos anos iniciais, o ambiente.

“Não havia observância de medidas de proteção ambiental, as plantações eram feitas até mesmo nas margens das nascentes”, salienta o servidor da câmara municipal.

* Com informações da ALMG


Postar comentário