Pesca fantasma ameaça animais marinhos

Segundo especialistas, ações de fiscalização têm de ser intensificadas pelo governo brasileiro
Conservação Ambiental
Publicado em: 13/12/2018

No Brasil, a pesca fantasma – caracterizada pela perda ou descarte nos mares de equipamentos de pesca, como redes, linhas e armações – ocorre em 70% da litoral, ou seja, em 12 dos 17 estados costeiros.

De acordo com o relatório “Maré Fantasma – Situação atual, desafios e soluções para a pesca fantasma no Brasil”, estima-se que até 69 mil animais marinhos sofram os impactos dessa pesca por dia, que incluem prejuízos ao ecossistema, ferimentos, mutilações, emaranhamento, sufocamentos e até a morte.

O documento foi apresentado esta semana pela ONG Proteção Animal Mundial no evento “Oceano Plástico: como escapar desse emaranhado?”, promovido em parceria com a ONU Meio Ambiente, em São Paulo.

No mundo, o volume de equipamentos de pesca abandonados nos oceanos por ano chega a 640 mil toneladas. No Brasil, o estudo estima que cerca de 580 quilos desses materiais sejam abandonados ou perdidos nos mares por dia, inclusive em áreas de proteção ambiental, como unidades de conservação.

Entre os animais afetados pela pesca fantasma estão baleias, tartarugas marinhas, toninhas, tubarões, raias, garoupas, pinguins, caranguejos, lagostas e aves costeiras. “Esse relatório é um primeiro diagnóstico nacional da pesca fantasma, que reúne todas as informações disponíveis e, de alguma forma, compila essas informações. Ele é um ponto de partida para desenvolver as atividades fazendo com que a agenda de pesca fantasma se torne mais ativa nas instituições”, afirma João Almeida, gerente de Vida Silvestre da Proteção Animal Mundial.

Para Almeida, uma ação importante no combate à pesca fantasma é a intensificação da fiscalização pelo governo brasileiro. “Se indivíduo faz o descarte irresponsável de uma rede de pesca, nada acontece com ele. Também precisamos de mais campanhas de conscientização ambiental e da adoção de mecanismos de localização dos equipamentos de pesca.”

Uma sugestão é que, na fabricação das redes de pesca, os materiais já sejam feitos com campo para identificação do proprietário e também para uso de marcadores GPS nos equipamentos. Assim, em caso de perda, seja por manejo irresponsável ou por situação de mar virado, será mais fácil localizar esses materiais para retirada.

Para a gerente de campanha da ONU Meio Ambiente, Fernanda Daltro, é urgente que o setor de pesca, tanto artesanal quanto industrial, se reúna e discuta formas mais sustentáveis para desenvolver sua atividade. Ela ressaltou a importância do Plano Nacional de Combate do Lixo Marinho, que está sendo desenvolvido pelo governo federal e com conclusão prevista para junho do ano que vem. O plano está aberto a recebimento de sugestões por meio de consulta pública até 8 de janeiro. Para acessar, clique aqui!


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