Pesquisadores descrevem espécie extinta de preguiça gigante

Animal teria vivido em São Paulo e subido para Minas Gerais, Mato Grosso, Bahia, Pernambuco e Paraíba
Da Redação / Ecológico - redacao@revistaecologico.com.br
Paleontologia
Publicado em: 22/04/2019

Uma nova espécie extinta de preguiça gigante foi descoberta pelo paleontólogo do Museu de Ciências Naturais da PUC Minas e professor da Universidade, professor Cástor Cartelle Guerra. O artigo com a descrição da espécie foi publicado no Journal of Systematic Palaeontology, uma das principais revistas de paleontologia do mundo.

O trabalho foi desenvolvido juntamente com a equipe do museu, e também por Gerardo De Iullis, paleontólogo do Museu Real de Ontário (Canadá), Alberto Boscaini e François Pujos, ambos do Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Técnica (Conicet) da Argentina.

Segundo o professor da PUC Minas, o animal tem porte médio, do tamanho de um boi, e é uma forma intertropical diferente das primeiras espécies encontradas no sul da Argentina, e depois nos Estados Unidos. “Essa descoberta mostra a adaptação de espécies pelos trópicos. Com base nos fósseis encontrados, muito provavelmente esse animal vivia em São Paulo e subiu para Minas Gerais, Mato Grosso, Bahia, Pernambuco e Paraíba, e foi até a Venezuela, sem ultrapassar os Andes.”

A descoberta é fruto de 20 anos de pesquisa. E Cástor Cartelle explica que “essa espécie é importante para a ciência porque amplia o conhecimento de algo tão peculiar na América do Sul, que são as preguiças, que têm origem sul-americana, mas migraram para o norte”.

Dessa nova espécie, foram encontrados cerca de 200 fósseis, o que, segundo o professor, é um número bastante considerável e raro de se achar em uma mesma região, nesse caso, a intertropical, em maior número no Estado da Bahia.

“Duas características nesses fósseis foram determinantes para a descoberta. A primeira, os dois crânios encontrados, que nitidamente são da mesma espécie, mas de sexo diferentes, o que não acontece com outros animais, e a segunda é a presença de ossinhos dentro da pele, que representa uma herança de antepassados como o tatu”, ressalta Cartelle.

Foram encontrados cerca de 200 fósseis da nova espécie - Foto: Divulgação / Museu Puc Minas
Foram encontrados cerca de 200 fósseis da nova espécie - Foto: Divulgação / Museu Puc Minas

Simbolismo da fénix

O animal recebeu o nome de Glossotherium phoenesis em homenagem aos funcionários, professores, alunos e técnicos do Museu de Ciências Naturais da PUC Minas que contribuíram com a recuperação do local após incêndio ocorrido em 2013, que destruiu parcialmente seu acervo.

Cartelle explica que Glossotherium é o nome genérico do animal, que não pode ser mudado, e que a nova espécie descoberta foi denominada phoenesis, em referência ao pássaro fênix, que segundo a lenda grega ressurgia das próprias cinzas.

Com esse achado, a equipe do Museu de Ciências Naturais da PUC Minas chega a seu décimo holótipo, ou seja, descrição original de uma espécie, que serve como referência para as novas que forem encontradas posteriormente.

“A razão de nos dedicarmos tanto é para dar a conhecer essa riqueza do passado. Isso é o principal. É descrever uma espécie que ninguém conhecia e que andou por aqui enriquecendo nossa fauna esplendorosa”, reforça o professor da Universidade.


Postar comentário