Pesquisadores estudam “mestres da sobrevivência” para prevenir morte celular

Estudo pode revolucionar tratamento de lesões traumáticas, ataques cardíacos e derrames
Da Redação / Ecológico – redacao@revistaecologico.com.br
Olhar Científico
Publicado em: 26/02/2019

Avaliados em inúmeros testes científicos e presentes há mais de 500 milhões de anos no planeta Terra, os tardígrados são considerados mestres da sobrevivência. A capacidade deles de resistir a situações extremas é tão impressionante que cientistas não param de estudar seus segredos.

Nesta semana, a Harvard Medical School (HMS) divulgou que uma equipe de estudiosos iniciou os trabalhos para compreender de que maneira essas criaturas poderiam inspirar soluções para prevenir a morte celular em humanos. As análises são desenvolvidas em parceria com pesquisadores da Universidade de Washington, de Seattle e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, em inglês).

O estudo é uma resposta ao desafio lançado pelo exército dos Estados Unidos no final do ano passado com o propósito de estabilizar lesões traumáticas provocadas em zonas de combate. As descobertas podem revolucionar também o tratamento de ataques cardíacos, derrames e infecções generalizadas, entre outras condições.

O segredo da criptobiose

A esperança para esses tratamentos médicos está na capacidade dos tardígrados de se autopreservarem em condições severas – o que os cientistas denominam de criptobiose. É como se eles dessem uma pausa no ciclo na vida para não sofrer as consequências de situações ambientais hostis e voltassem à plena atividade quando a situação ideal é restabelecida.

Invisíveis aos nossos olhos, esses invertebrados vivem próximos de nós. Podem estar, por exemplo, no jardim das nossas casas ou em uma praça que costumamos frequentar. Mas são encontrados também em locais onde não há sinal de vida.

Ao se protegerem numa espécie de carapuça proteica e se desidratarem intensamente, eles podem resistir a extremos de temperatura, expostos a radiações perigosas e até fora de nossa atmosfera – como comprovaram cientistas da Agência Espacial Europeia em 2007. Depois de serem deixados no espaço sideral, tardígrados restabeleceram sinais vitais de volta à Terra.

Os cientistas descobriram que essa habilidade espantosa se deve a compostos bioquímicos produzidos por eles. E que, graças a isso, o material genético deles se mantém em condições de ser reativado.

A questão é como replicar essa capacidade? E a resposta, que se verifica agora, pode estar nas proteínas intrinsecamente desordenadas (em inglês, intrinsically disordered proteins - IDPs), que estão presentes em praticamente todos os seres vivos.

Entender quais destas proteínas podem retardar a atividade celular e como seria possível sintetizá-las é o caminho seguido pela equipe de Harvard. Inspirados no manual de sobrevivência dos tardígrados, os pesquisadores estudam maneira de projetar uma versão das proteínas capazes de aumentar a resistência do nosso organismo. Não há nada de simples no trabalho que se tem pela frente, mas os resultados seriam impressionantes.


Postar comentário