Pesquisadores registram jacu-de-barriga-castanha em MG

Espécie permanece na região de Brasilândia de Minas, 13 anos após o último registro oficial
Saúde e Meio Ambiente
Publicado em: 07/08/2018

Especialistas do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e da Aves Gerais Monitoramento Ambiental organizaram uma expedição de busca ao jacu-de-barriga-castanha, Penelope ochrogaster, em Brasilândia de Minas (MG), entre 16 a 21 de julho. O último registro da espécie na região ocorreu em 2005.

Segundo o pesquisador Lucas Carrara, da Aves Gerais Monitoramento Ambiental, a expedição permitiu comprovar que P. ochrogaster permanece na região de Brasilândia de Minas, 13 anos após o último registro oficial. A espécie foi detectada em seis pontos distintos, todos em floresta ripária às margens do Rio Paracatu, principalmente em trechos em estágio de desenvolvimento médio e avançado, com árvores de grande porte e sub-bosque pouco desenvolvido.

A população mínima da área de estudo foi de 10 indivíduos, todos detectados no dia 19 de julho, ao longo de 13,5km de percurso feito em bote. Outros quatro indivíduos foram detectados dois dias antes. Para encontrar a espécie, os pesquisadores percorreram mais de 100 quilômetros de estradas e trilhas, cobrindo os diferentes ambientes da região (mata ciliar, cerradão, cerrado-parque, veredas de buriti, dentre outros) e cerca de 16km do Rio Paracatu em bote inflável.

Também foram instaladas armadilhas fotográficas em locais com potencial para abrigar a espécie, como a mata ciliar do Rio Paracatu, a mata ciliar do Ribeirão Cotovelo e em uma estrada marginal ao Rio Paracatu. Entrevistas informais com moradores da região também foram bastante úteis para o levantamento de informações sobre a ocorrência da espécie.

Caça é ameaça

O jacu-de-barriga-castanha é ameaçado principalmente pela perda de hábitat e pela caça. “Durante a expedição detectamos atividade de caça em três ocasiões na mata ciliar ao longo do Rio Paracatu, tendo sido visualizada uma espera de caçador com ceva recente e, em outras duas ocasiões, escutamos tiros. Isso reforça a necessidade de ações efetivas de fiscalização e de educação ambiental na região, como estratégias para coibir a caça”, alerta o analista ambiental Emanuel Barreto, do Cemave.

A restauração e conservação das matas ciliares do Rio Paracatu, principal afluente do Rio São Francisco, a criação de Unidades de Conservação e o incentivo ao estabelecimento de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) são iniciativas essenciais para favorecer a sobrevivência da população do jacu-de-barriga-castanha e de outras espécies raras ou ameaçadas na região.

Família Cracidae

O jacu-de-barriga-castanha Penelope ochrogaster, da Família Cracidae, é uma das sete espécies do gênero que ocorrem no Brasil e figura entre as mais ameaçadas. Sua distribuição está vinculada ao Cerrado, considerado um hotspot da conservação da biodiversidade, ou seja, área prioritária para conservação por ser um dos biomas mais ricos e ameaçados do planeta.

As informações recentes sugerem que suas populações mais representativas estejam restritas ao Vale do Araguaia e ao Pantanal mato-grossense. A espécie está categorizada nacionalmente como vulnerável e, em Minas Gerais, como criticamente em perigo de extinção.

Fonte: ICMBio


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