Plano de ação da Vale previa um minuto de saída dos funcionários se barragem rompesse

Em reunião na ALMG, testemunhas afirmaram que essa informação estava prevista no Plano de Emergência da Barragem da Mina Córrego do Feijão. Parlamentares consideraram o tempo como "inviável"
Da Redação / redacao@revistaecologico.com.br
Mineração
Publicado em: 28/06/2019

Durante reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Barragem de Brumadinho, da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), testemunhas afirmaram que o tempo previsto para a saída dos funcionários da Vale em casos de rompimento, no Plano de Emergência para Evacuação da Barragem da empresa em Brumadinho, era de menos de um minuto. O não acionamento das sirenes e a falta de simulados para que possíveis atingidos pudessem escapar também foram questões que chamaram a atenção dos deputados.

Lucas Samuel Santos Brasil, um dos depoentes, é ex-funcionário da Vale e fiscal do contrato da Walm Engenharia Tecnologia Ambiental, responsável pela produção do Plano de Ação de Emergência para Barragens de Mineração (PAEBM). O outro, Sérgio Pinheiro Freitas, também é funcionário da Walm e participou da elaboração desse plano. Segundo Sérgio, o PAEBM não trata de fatores de segurança ou estabilidade das barragens. "Ele é um documento obrigatório para todas as barragens e deve trazer a previsão dos danos possíveis em casos de rompimento, bem como rotas de fuga e diretrizes de atuação para mitigação de danos". Sérgio explicou, ainda, que são apresentados planos para três níveis de emergência - só o terceiro trata da iminência ou efetivo rompimento.

Nesse caso, o plano referente à barragem que se rompeu e matou mais de 240 pessoas previa um tempo de até um minuto para saída dos funcionários de estruturas mais próximas da barragem, como o refeitório. Os deputados André Quintão (PT) e Sargento Rodrigues (PTB) questionaram a testemunha sobre esse prazo, que, para eles, não seria suficiente para que as pessoas escapassem.

Foto: Cláudia Barçante/ALMG
Foto: Cláudia Barçante/ALMG

"O PAEBM estabelece uma previsão de tempo e é responsabilidade da empresa realizar treinamentos e simulações para avaliar se o tempo indicado como necessário para a evacuação é suficiente. Caso contrário, a empresa deve tomar as providências que julgar convenientes", afirmou Sérgio. Ele também lembrou que tal tempo de evacuação dizia respeito ao nível 3 de emergência – ou seja, esperava-se que outras ações fossem tomadas antes.

No nível 2, de acordo com Sérgio Freitas, as sirenes já deveriam ser acionadas, e as pessoas mais próximas da barragem teriam mais tempo para sair do local. Isso se daria, como explicou, em várias formas de anomalias das estruturas, como obstrução dos vertedouros. Diante de perguntas dos deputados sobre anormalidades registradas em Brumadinho meses antes do rompimento, conforme relatado por outros convidados da CPI, ele disse não saber se esses registros deveriam ter acionado as sirenes.

Quando o ex-funcionário da Vale Lucas Brasil foi questionado sobre todas essas questões, ele não soube oferecer respostas técnicas. Ele informou que a fiscalização que fazia do PAEBM dizia respeito à estrutura formal do documento, o qual foi enviado a todas as áreas técnicas para análise. De acordo com Lucas, seu papel de fiscal de contrato foi concomitante em outros 49 planos de emergência de barragens, e era apenas formal. A testemunha salientou nunca ter ido à barragem que se rompeu.

(*) Com informações da ALMG.


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