Plano de ação para espécies ameaçadas do Planalto Sul é elaborado

Metodologia implementada para a elaboração do plano de ação Planalto Sul é uma inovação do Projeto Pró-Espécies
Da Redação / Ecológico - redacao@souecologico.com
Meio Ambiente
Publicado em: 03/07/2019

O Projeto Pró-Espécies: Todos contra a extinção realizou a primeira oficina para elaboração do Plano de Ação Territorial para Espécies Ameaçadas de Extinção do Planalto Sul, sediada na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), campus de Lages (SC), de 11 a 14 de junho de 2019. A oficina contribuiu para o planejamento de ações para a conservação de espécies ameaçadas de extinção nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Mariana Gutiérrez/WWF-Brasil
Mariana Gutiérrez/WWF-Brasil

Após uma série de oficinas e reuniões entre os estados representativos e seus parceiros, foi elaborado o PAN Territorial Planalto Sul, que ficará sob a coordenação do Instituto do Meio Ambiente (IMA-SC), a coordenação executiva pela Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (SEMA-RS) do Rio Grande do Sul e terá a duração de 5 anos.

“É a primeira vez que estamos fazendo um trabalho em conjunto com a SEMA-RS, então é uma experiência, um aprendizado. E acredito que tem tudo para ser positivo”, apontou Pedro de Sá Rodrigues da Silva, coordenador da oficina do PAN Planalto Sul e analista ambiental do IMA-SC.

Participaram representantes de órgãos ambientais estaduais e municipais, pesquisadores acadêmicos das espécies focais, ONG´s, polícia militar ambiental, representantes do setor produtivo, sociedade civil organizada, Instituto Chico Mendes para a Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), Ministério do Meio Ambiente (MMA) e WWF-Brasil.

A metodologia implementada para a elaboração do plano de ação Planalto Sul é uma inovação do Projeto Pró-Espécies, dado que este possui foco tanto na fauna quanto na flora, considerando o habitat das espécies em uma abordagem territorial, sem limitar os esforços dos estados. O projeto Pró-Espécies estabeleceu 12 territórios de proteção de espécies Criticamente em Perigo que não contam com uma estratégia de conservação.

Márcio Verdi, coordenador do Núcleo Planejamento de Ações do JBRJ destacou que “embora o ICMBio e JBRJ já aplicavam essa abordagem territorial nos PANs, ambos ainda tratavam separadamente fauna e flora”. Na inovação da metodologia do PAN Planalto Sul percebe-se que a integração entre os dois grupos e as ações elaboradas são abrangentes nesse sentido.

A maioria das espécies que se encontram no território pertencem a flora (17), tendo como exemplos a Codonorchis canisioi, Eryngium ramboanum e Petunia reitzii e a fauna que está representada em um número menor, com 5 espécies ameaçadas: Aegla brevipalma, Cycloramphus valae, Phyllocaulis renschi, Pulsatrix perspicillata pulsatrix e Trichomyclerus tropeiro.

Em total são 22 espécies ameaçadas de extinção e a maioria se encontram registradas no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (2018) do ICMBio e no Livro Vermelho da Flora do Brasil (2013) do JBRJ. Sete espécies estão categorizadas como espécies criticamente ameaçadas apenas nas Listas Estaduais de Espécies Ameaçadas do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

De acordo com Leonardo Urruth, coordenador executivo do PAN Planalto Sul e analista ambiental da SEMA-RS, “as espécies do PAN Planalto Sul possuem características em comum, como o fato de estarem criticamente ameaçadas de extinção, de se possuir pouca informação científica sobre a maioria delas e de ocorrerem em ambientes muito específicos ou com distribuição muito restrita no território. Portanto, são espécies que dependem fortemente da proteção dos ecossistemas onde ocorrem para sua conservação”.

Dentre as ameaças citadas na elaboração do PAN Planalto Sul foram identificadas a conversão de campos nativos; o uso de agrotóxicos; falta de saneamento urbano; a instalação de hidrelétricas; uso do fogo desregrado e a introdução de espécies exóticas invasoras.

Fonte: WWF-Brasil


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