Plástico biodegradável garante Prêmio Jovem Cientista a estudante de 17 anos

Material é produzido com casca de maracujá
Da Redação / Ecológico - redacao@revistaecologico.com.br
Inspiração
Publicado em: 20/11/2018

Em dezembro, estudantes premiados vão receber no Palácio do Planalto as honrarias do Prêmio Jovem Cientista. Entre os vencedores deste ano está Juliana Davoglio Estradioto, de 17 anos. Com o trabalho “Desenvolvimento de Filme Plástico Biodegradável a partir da Fibra Residual do Maracujá”, orientado pela professora Flávia Santos Twardowski Pinto, ela conquistou o primeiro lugar na categoria Ensino Médio.

A partir da casca do fruto, a adolescente desenvolveu um filme plástico biodegradável para substituir embalagens de mudas de plantas, que geram alta quantidade de resíduos na agricultura. Por se decompor em 20 dias e não precisar ser retirada no momento do plantio, a inovação reduz a poluição causada pelo material convencional e agrega valor econômico à casca do maracujá.

No anúncio dos vencedores, realizado no fim de outubro, Juliana agradeceu o incentivo da professora. “Eu identifiquei esse problema do desperdício e descarte das cascas de maracujá, após a produção de sucos e geleias, na região onde moro. Foi graças ao contato com minha orientadora que descobri esse mundo da ciência, uma jornada de descobertas através da pesquisa”, comemorou.

A premiação

O propósito da pesquisa da estudante se alinhou perfeitamente ao tema do Prêmio Jovem Cientista deste ano. A meta era revelar inovações capazes de fazer a diferença na conservação dos recursos naturais e na consolidação de transformações sociais necessárias para o avanço da sociedade.

Além de aberto aos estudantes do Ensino Médio, o Prêmio Jovem Cientista também selecionou projetos para as categorias “Mestre e Doutor” e “Ensino Superior”, além de destacar instituições em “Mérito Institucional Ensino Médio”, “Mérito Institucional Ensino Superior” e “Mérito Científico”.

Confira a lista dos agraciados divulgada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq):

Mestre e Doutor:

1º lugar: João Vitor Campos e Silva – Avalia um modelo de conservação na Amazônia que recupera populações de pirarucu, maior peixe de escamas do mundo, com alto valor comercial e cultural.

2º lugar: Carolina Levis – Sua pesquisa revelou a persistência de um patrimônio natural-cultural na maior floresta tropical do Brasil: a importância do manejo indígena passado para o sustento dos povos atuais.

3º lugar: Gelson Vanderlei Weschenfelder – O estudo investigou a percepção dos leitores de histórias em quadrinhos sobre os riscos psicossociais dos super-heróis como recurso inspirador e gerador de resiliência nos programas de intervenção para crianças e adolescentes.

Ensino Superior:

1º lugar: Célio Henrique Rocha Moura – Analisou as relações socioespaciais e de gestão das Unidades de Conservação do Recife, a partir da identificação dos seus atributos naturais peculiares, que lhes conferem valores patrimoniais e atestam sua significância.

2º lugar: Rafaella Santos Rêda – Dedicou-se a projetar um dispositivo capaz de auxiliar a comunicação de pessoas com surdocegueira através de sinais sensíveis ao toque.

3º lugar: Jeferson Almeida de Oliveira - Analisou a relação entre a proteção ambiental e o respeito aos direitos à terra das populações tradicionais da Amazônia.

Ensino Médio:

1º lugar: Juliana Davoglio Estradioto – A jovem do 4º ano do curso técnico em Administração, do Instituto Federal do Rio Grande do Sul, desenvolveu um plástico a partir dos resíduos do maracujá.

2º lugar: Sandro Lúcio Nascimento Roch – O estudante desenvolveu uma caixa sustentável de captação da água da chuva para sua escola. O projeto teve como base a criação de um cimento ecológico feito a partir de fibras de coco. Os tijolos foram trocados por garrafas tipo PET, evitando o descarte de resíduos plásticos na natureza.

3º lugar: Leonardo Silva de Oliveira – Ele criou um aplicativo de celular para monitoramento participativo dos ecossistemas aquáticos, que recebe informações dos usuários sobre ameaças aos rios e mares como descarte de lixo, despejo de esgoto ou pesca excessiva e ilegal.

Mérito Institucional Ensino Médio:

Escola Técnica Polivalente de Americana - Americana (SP)

Inaugurada em 1977, a escola oferece Ensino Médio integrado aos cursos técnicos, além de formação em diversas áreas do conhecimento, auxiliando seus estudantes na descoberta profissional e na inserção no mundo do trabalho.

Mérito Institucional Ensino Superior:

Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Com mais de 100 anos de serviços prestados à sociedade, a universidade mantém cerca de mil grupos de pesquisa e mais de 5 mil projetos de produção científica em andamento.

Mérito Científico:

Vera Lúcia Imperatriz-Fonseca.

A professora é referência nas pesquisas com abelhas nativas, sendo coautora da Declaração de São Paulo para os Polinizadores, que originou a Iniciativa Internacional de Uso Sustentável e Conservação dos Polinizadores.

Sobre o Prêmio Jovem Cientista:

Instituída em 1981, a premiação é uma iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com a parceria da Fundação Roberto Marinho e patrocínio da Fundação Grupo Boticário e Banco do Brasil.

Foto 01: Reprodução / Youtube - Vera Pinheiro

Legenda: Juliana Estradioto, primeiro lugar na categoria Ensino Médio do Prêmio Jovem Cientista.

Foto 02: Pixabay


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