Processos industriais dificultam a reciclagem

Iniciativas para reutilizar resíduos descartáveis já são lei no Brasil, mas desafios em busca da excelência ainda são muitos
Meio Ambiente
Publicado em: 04/10/2018

Não há dúvidas de que a importância dos processos de coleta, reciclagem e reutilização de resíduos como o plástico são imprescindíveis para o futuro do planeta. Os conceitos de sustentabilidade e responsabilidade ambiental estão cada vez mais difundidos na sociedade e têm estimulado pequenos empreendedores e grandes empresas a adotarem planos de Logística Reversa, assegurando o reúso ou descarte correto dos bens de consumo. Mas embora indiscutivelmente cruciais, na prática, tais iniciativas ainda enfrentam inúmeros empecilhos, dificultando um avanço sustentável dos processos industriais.

A Logística Reversa consiste em um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial. No Brasil, é regulamentada pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), regulamentada pela Lei nº 12.305, que prevê a implementação de sistemas de produção e consumo consciente a fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes.

O conceito é uma das atividades sociais e econômicas mais relevantes para a redução do impacto industrial no meio ambiente, mas encontra desafios já nos primeiros processos da reciclagem. Um exemplo dessas dificuldades é o fato de alguns tipos de embalagens plásticas inviabilizarem o reuso de grande parte do material.

“Para que a reutilização seja possível, o PET coletado e separado, por exemplo, precisa ser triturado para dar origem aos flakes, que se transformarão em matéria-prima para novos produtos. Mas para passar por esse processo o plástico precisa estar puro, sem resíduos de outros materiais”, explica Soraya Bischoff, gerente do Instituto de Logística Reversa (ILOG).

No entanto, os rótulos, que são fixados com substâncias adesivas tradicionais, não se separam das embalagens no processo de lavagem convencional adotado pela grande maioria dos processos de reciclagem. Com isso, acabam contaminando todo o material, que deixa de ser reaproveitado.

Desde 2016, o ILOG auxilia instituições de todos os portes a adotarem e desenvolverem práticas sustentáveis em cumprimento das políticas estaduais e nacionais de logística reversa. O trabalho se apoia em parcerias com o a iniciativa privada, governos estaduais e municipais e cooperativas de catadores.

O ideal, lembra Soraya, são os rótulos envelopados, como os encontrados geralmente em garrafas de água, pois se soltam facilmente durante a lavagem, eliminando a necessidade de cortar manualmente o fragmento de plástico em que estão colados.

Para a especialista, uma solução definitiva, seria a conscientização e redesign sustentável por parte das indústrias. “O processo de logística reversa precisa ser entendido para além do reaproveitamento.” É necessário, ainda, que a indústria encare o conceito como um todo, considerando toda a criação e vida útil de um produto, desde sua concepção e design até o momento em que ele é descartado.


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