Profissionais e voluntários atuam em resgate de animais em Brumadinho

Esforço conjunto é decisivo para salvamento e redução de danos
Da Redação / Ecológico – redacao@revistaecologico.com.br
Rompimento de Barragem
Publicado em: 01/02/2019

O resgate das vítimas do rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão, da Vale, é árduo e doloroso. Mas é graças a esse esforço colaborativo, que inclui bombeiros, agentes da defesa civil, forças de segurança, cães farejadores, diferentes grupos profissionais e voluntários, que a esperança se mantém de pé em Brumadinho (MG). Em meio à dor das pessoas que buscam familiares e amigos, há a preocupação e o cuidado com o resgate de animais domésticos e silvestres – igualmente atingidos pela onda de lama.

Com o orientação de autoridades e agentes públicos que atuam no local da tragédia desde a última sexta-feira (25/01), quando a represa de rejeitos estourou, as ações de resgate e tratamento dos animais são empreendidas pela equipe da Brigada Animal, coordenada pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária seção Minas Gerais (CRMV-MG). “O Conselho presta um auxílio humanitário no sentido de promover um resgate adequado”, afirma Ana Liz, presidente da Comissão de Bem-estar Animal do CRMV-MG.

Estão mobilizados cerca de 30 profissionais, são médicos veterinários do CRMV-MG, estudantes da Escola de Veterinária da UFMG e da Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais (Anclivepa Minas). As ações também são desenvolvidas por integrantes de ONGs, como a Federação Humanitária Internacional Fraternidade e a Arca da Fé Resgate Animal.

Estados dos animais e condições de resgate dificultam salvamento | Foto: Médicos veterinários do CRMV-MG
Estado dos animais e condições de resgate dificultam salvamento | Foto: Médicos veterinários do CRMV-MG

Em virtude da alimentação escassa, da falta de água e do calor intenso, os animais encontrados nas áreas encobertas pelo rejeito foram resgatados em estado de desidratação e desnutrição. Até esta sexta-feira, de acordo com o CRMV-MG, 73 foram salvos, incluindo os recolhidos na área do entorno, na proximidade de casas e sítios que tiveram de ser abandonados às pressas.

Rotina de salvamento

As medidas de salvamento são feitas a partir de reuniões de planejamento. Antes de ir a campo, as ações são discutidas em um comando central com servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA), do Instituto Estadual de Florestas (IEF) e da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad-MG).

A estrutura para os procedimentos com os animais foi montada em duas fazendas viabilizadas pela Vale, que também disponibilizou uma médica veterinária. Nesses locais, os animais passam por triagem, são limpos e recebem os primeiros tratamentos. “Eles ficarão na fazenda até que os proprietários os retirem, e caso não haja proprietários, serão encaminhados para adoção”, explica a médica veterinária Ana Liz.

Eutanásia

Entre os animais resgatados estão principalmente cães e pássaros, mas há ainda galinhas, patos, gato, bovinos e até um cágado. Alguns tiveram de receber alimentação e água antes mesmo de serem resgatados. Sem isso, poderiam não resistir às condições a que estavam submetidos.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), três bovinos com fraturas de membros e estado crítico de exaustão foram sacrificados. Em nota, o órgão informou que “considerando a impossibilidade de adoção de outras medidas, foi tomada a decisão pela eutanásia”. O procedimento, informou a PRF, “foi orientado e supervisionado pela equipe veterinária sob a coordenação do comando da operação de resgate”.


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