Projeto Tamar comemora 40 milhões de tartarugas soltas

Atividades especiais nesse fim de semana marcaram a celebração da data
Matheus Muratori - redacao@souecologico.com
Meio Ambiente
Publicado em: 16/12/2019

Nesse fim de semana, o Projeto Tamar deu início à comemoração de 40 anos de forma especial. Entre sexta-feira (13) e domingo (15), a instituição promoveu diversas ações em uma das sedes da organização. Na Praia do Forte, em Mata de São João (BA), a cerca de 80 quilômetros de Salvador, também foi anunciado o número de 40 milhões de tartarugas devidamente soltas e protegidas desde 1980.

A comemoração ainda contará com diversos eventos ao longo de 2020, quando o projeto comemora 40 anos. Na sexta, dezenas de turistas e moradores locais acompanharam a soltura de 101 tartarugas recém-nascidas.

Projeto Tamar atua desde 1980 (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)
Projeto Tamar atua desde 1980 (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Todo esse trabalho iniciado em 1980 teve origem em expedições realizadas por um grupo de estudantes de oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) em ilhas e arquipélagos como Abrolhos, Fernando de Noronha e Atol das Rocas. Quando presenciaram pescadores abatendo tartarugas, resolveram denunciar a situação para órgãos públicos. Na época, já havia um apelo internacional para que algo fosse feito em defesa desses animais.

Estudantes da Furg começaram a fazer um mapeamento das espécies de tartarugas que desovavam no Brasil e apontaram quais os principais problemas. O Projeto Tamar começou se estruturando em três localidades. Além da Praia do Forte, os outros dois pontos de partida foram Regência, distrito de Linhares (ES), e Pirambu (SE). Hoje, considerando tanto os locais com estrutura física como os que têm apenas profissionais em atuação, são 25 pontos da costa brasileira são monitorados.

Apesar de registros isolados de desovas de tartarugas marinhas ao longo da costa brasileira, uma noção mais profundada do fenômeno veio com esse trabalho. Pouco a pouco, o conhecimento foi sendo formado. Cinco das sete espécies utilizam o litoral brasileiro para criarem seus ninhos: tartaruga-cabeçuda, tartaruga-verde, tartaruga-oliva, tartaruga-de-couro e tartaruga-de-pente. Os locais de desova vão do Sul ao Nordeste.

O quadro mapeado, porém, mostrava uma realidade preocupante tendo em vista que o ciclo biológico estava interrompido: as fêmeas que chegavam à praia e seus ovos serviam como fonte de alimento para diversas comunidades litorâneas. As capturas incidentais durante a pesca de outras espécies também levavam a uma redução drástica das populações de tartarugas, o que ainda é uma realidade.

Hoje, porém, avanços já são notáveis. Acumulando prêmios, o Projeto Tamar passou a ser reconhecido internacionalmente como uma das mais bem-sucedidas experiências de conservação marinha.

De acordo com o Tamar, as cinco espécies vêm experimentando recuperação de suas populações, embora a tartaruga-de-couro e a tartaruga-pente ainda estejam consideradas em estado crítico, conforme a lista vermelha de espécies ameaçadas elaborada pela União Internacional Para Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN). Entre as outras quatro, algumas são classificadas como em risco de extinção e outras como vulneráveis.


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