Qualidade da água na Bacia do Rio Doce preocupa moradores da região

Situação é apontada como reflexo da maior tragédia ambiental do país
Da redação* - redacao@souecologico.com
Rompimento de Barragem
Publicado em: 27/08/2019

A qualidade da água da Bacia do Rio Doce, afetada pelo rompimento da Barragem de Fundão, da mineradora Samarco, em 2015, foi um dos principais alvos de reclamações dos participantes de audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta segunda-feira (26/08).

A reunião teve como tema a atuação da Fundação Renova, criada pelas empresas Vale e BHP Billiton, controladoras da Samarco, para mediar a reparação dos danos da tragédia. A entidade foi acusada de negar direitos básicos da população atingida.

Os moradores da região não confiam que a água do Rio Doce seja boa para consumo. “Buscamos água nos poços artesianos de vizinhos”, contou Izaias Francisco, da Comissão de Cachoeira Escura do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

Qualidade de água e contaminação preocupam moradores - Foto: Ricardo Barbosa / ALMG
Qualidade de água e contaminação preocupam moradores - Foto: Ricardo Barbosa / ALMG

O presidente da Associação dos Pescadores de Conselheiro Pena e Região (Aspesc), Lélis Barreiros, mostrou dois filtros de água, ambos com sujeira preta que, segundo ele, é composta por rejeitos de minério de ferro.

Além de reivindicar a melhoria da água para consumo humano, Lélis destacou que os animais que bebem da água acabam morrendo ou abortando seus fetos. Ele ainda falou da qualidade dos peixes, que também gera desconfiança e impede a comercialização.

Contaminação. Um estudo realizado por pesquisadores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com os pescados da Bacia do Rio Doce no estado do Espírito Santo, apontou que alguns metais estão em concentração maior nos peixes da região do que em outras áreas do País. Quem apresentou o trabalho foi Milton Cabral de Vasconcelos Neto, analista de saúde e tecnologia do Grupo Técnico de Contaminante em Alimento da Anvisa.

Segundo nota técnica produzida a partir do estudo, que ele também apresentou, os pescados da região podem ser consumidos, mas não em alta quantidade, como acontece em locais onde essa é a principal fonte de alimentos.

Milton ressaltou, ainda, que o estudo não tratou da qualidade específica da água e, se ela não for boa para consumo, a quantidade de peixe a ser consumida deve ser reduzida, já que os metais presentes nos animais se somariam aos da água no organismo das pessoas.

Outro lado. Por meio de nota à imprensa, a Fundação Renova disse que destinou cerca de R$ 6,3 bilhões em ações de reparação e compensação dos danos. Sendo que 113 afluentes do Rio Doce foram reconformados e mais de mil nascentes, recuperadas. A fundação disse ainda que disponibiliza R$ 500 milhões para projetos de saneamento para os municípios impactados.

Saiba mais:

A Barragem de Fundão fica em Mariana, na Região Central do Estado. Ela rompeu em novembro de 2015, provocando ao menos 18 mortes (uma pessoa permanece desaparecida), a devastação do distrito de Bento Rodrigues e a maior tragédia ambiental da história do País. A lama de rejeitos que percorreu toda a extensão do Rio Doce em 2015 mudou a cor e a qualidade da água utilizada pelos moradores dos municípios ao longo da bacia e chegou até o Oceano Atlântico, na costa do Espírito Santo.

* Com informações da ALMG.


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