Racionamento de água na capital mineira pode começar em menos de um ano

Esse é o cenário que BH e região irão enfrentar se não for feito um novo ponto de captação no Rio Paraopeba e se o volume de chuvas for menor do que o esperado
Da Redação / redacao@revistaecologico.com.br
Recursos Hídricos
Publicado em: 04/07/2019

Uma notícia alarmante pegou a população da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) de surpresa nesta quinta-feira (04/07). Se os níveis de chuva este ano forem iguais ou inferiores aos registrados no período 2013/2014, o fantasma do racionamento de água potável voltará a assolar os 4,5 milhões de habitantes da capital mineira e adjacências.

O nível dos reservatórios de água da RMBH registrava 77% da capacidade total em maio de 2018. Doze meses depois, em maio deste ano, o índice caiu para 74%. “No final de 2020 podemos chegar ao volume morto dos reservatórios, que é quando a água fica abaixo das comportas e a sua captação fica bem mais complicada de ser feita, caso a situação de 2013/2014, de poucas chuvas, se repita”, afirmou Rômulo Perilli, diretor de Operações Metropolitanas da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa).

Na reunião da CPI das Barragens realizada hoje (04/07) na Câmara Municipal de BH, ele ressaltou que, desde o rompimento da barragem de Brumadinho, a Copasa vem abastecendo toda a região sem nenhum prejuízo, mas sem outro ponto de captação no Rio Paraopeba. Hoje, ela tem um total de 500 mil m³ de águas tratadas e 250 milhões m³ de água bruta em reservatórios, mas o volume pode diminuir muito se a captação do Paraopeba não voltar a ser feita. “Passamos de 10,7 mil litros por segundo para 7,3 mil litros por segundo de captação na Bacia do Paraopeba. Nossa média de captação é de 15 mil litros se somarmos os sistemas Paraopeba e Rio das Velhas”, ressaltou o diretor.

O rompimento da barragem da mineradora Vale em janeiro, em Brumadinho, provocou a morte de mais de 240 pessoas e vários danos ambientais, incluindo a contaminação de rios que abastecem a capital. Responsável pela construção da nova estação de captação de água no Rio Paraopeba, que será instalada a 12 quilômetros da estação atual, a Vale garante que o sistema estará pronto e em funcionamento até setembro de 2020.

“Mesmo que a obra não esteja totalmente concluída, podemos começar o bombeamento em junho. Estamos nos reunindo para que tudo seja feito com urgência, inclusive retirando empecilhos burocráticos. O novo sistema de captação pode ser construído até o ano que vem. O cronograma está em dia e pode ser cumprido. Apesar de não ter visualmente obras no local, estamos adiantados com o projeto e o levantamento topográfico. Acredito que até o final deste mês teremos tudo pronto para dar início à obra física”, adiantou Rômulo Perilli aos vereadores. O novo ponto de captação custou R$ 128 milhões aos cofres públicos.

Rio das Velhas

Outro problema que está sendo tratado pelos vereadores que integram a CPI é o risco de rompimento de barragens da Vale em Macacos e Ouro Preto, o que afetaria diretamente o Rio das Velhas, responsável por parte do abastecimento dos municípios da Grande BH. Segundo o diretor da Copasa, além da nova captação no Paraopeba, a Vale também está construindo uma barreira metálica para proteger a bacia do Rio das Velhas, evitando prejuízos ao meio ambiente e ao abastecimento de água.

(*) Com informações da CMBH.


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