Reflorestamento faz chuva voltar a região seca

No Camboja, recuperação vegetal devolve chuvas, antes abundantes, a região de montanha sagrada que foi degradada pela ação madeireira ilegal
Meio Ambiente
Publicado em: 14/01/2019

No Camboja, durante o século 12, as pessoas iam até a Montanha Kulen, um lugar sagrado associado à fertilidade, para cortar pedaços enormes de pedra, que eram arrastados por elefantes.

Até os dias de hoje, moradores sobem o monte, mas por outros motivos. Embora Kulen tenha se tornado uma área protegida, as pessoas vão lá não apenas para catar as lichias que dão nome à montanha, mas também para derrubar árvores e vendê-las em troca de madeira de lei ou de carvão nas cidades mais abaixo da formação rochosa.

Ao longo das décadas recentes, a atividade madeireira ilegal no Parque Nacional de Kulen devastou amplas extensões de floresta. Conforme a cobertura de árvores encolhia, o povo que residia no topo da montanha via encolher também — ou até mesmo desaparecer completamente — as nuvens de chuva, que costumavam se aglomerar acima da mata.

“As árvores grandes que estavam aqui atraíam a chuva. Quando elas foram embora, descobrimos que não tínhamos (mais) água e que nossa área estava secando”, conta a moradora Yuth Thy, de 46 anos.

Com financiamento do Fundo de Adaptação, a ONU Meio Ambiente ajudou o governo do Camboja e parceiros a criarem um viveiro de mudas e, a partir dele, a fornecer materiais para o cultivo de árvores em Kulen.

Desde o início do projeto, em 2014, Thy já passou horas e horas, todos os dias, cuidando das mudas, na esperança de retardar ou reverter os efeitos das temperaturas cada vez mais altas e das chuvas irregulares.

“Quando eu era menina, tinha muita chuva e até granizo, fazia frio. Eu me lembro de ver fumaça saindo da minha boca quando falávamos. Agora, há menos chuva e nunca fica frio”, diz a cambojana.

Até o momento, o projeto apoiou cerca de 300 pessoas em Chuop Tasok, assegurando o cultivo de 100 mil mudas. A iniciativa também resultou na doação de mudas e auxiliou patrulhas no plantio de mais de 250 mil novas árvores, bem como na proteção de 306 hectares de floresta, contra a ação de madeireiros ilegais.

Jardins domésticos

O projeto diminuiu a dependência que a população tinha da agricultura centrada na chuva e diversificou as dietas, oferecendo treinamento e sementes para as famílias e as escolas locais, com o intuito de estabelecer jardins domésticos e poços para a irrigação.

Atualmente, os moradores também contam com fornecimento de água potável, vinda de um pequeno reservatório, instalado em fontes montanha acima. Outro benefício da expansão do dossel da floresta cambojana é a abundância de mel silvestre, que as pessoas extraem e vendem, junto com galinhas, para turistas e também nativos das aldeias e fazendas vizinhas.

Fonte: ONU


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