Relembrando Zilda Arns

Vítima do terremoto no Haiti, em 2010, fundadora da Pastoral da Criança deixou legado de amor e fraternidade
Memória
Publicado em: 28/02/2019

Foi no dia 15 de janeiro de 2010 que o Brasil perdeu uma de suas mais importantes lideranças sociais: a médica pediatra e sanitarista Zilda Arns Neumann. Vítima do terremoto de sete graus de magnitude que abalou o Haiti e deixou mais de 200 mil mortos, ela fazia, no momento do desastre, o que mais gostava: compartilhar experiências e ressaltar a importância de ajudar ao próximo.

Ela tinha ido ao país como missionária, para participar de uma conferência religiosa e tentar implantar uma unidade da Pastoral Internacional da Criança – instituição fundada por ela para combater a mortalidade infantil, desnutrição e a violência familiar.

Nascida na pequena cidade de Forquilhinha, em Santa Catarina, Zilda é filha de imigrantes alemães. Formada em Medicina, especializou-se em Saúde Pública, Pediatria e Sanitarismo a fim de salvar crianças pobres da mortalidade e da desnutrição. Para otimizar sua missão, criou uma metodologia própria de multiplicação de conhecimento e solidariedade entre famílias pobres, baseada no milagre bíblico em que Jesus multiplicou pães e peixes.

Foi em 1983 que Zilda fundou a Pastoral da Criança, órgão de ação social da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cuja atuação tem caráter ecumênico e solidário. Irmã de Dom Paulo Evaristo Arns, que a ajudou a estruturar a Pastoral com o apoio da Unicef, ela saiu Brasil e mundo afora para captar recursos e consolidar a instituição, que hoje tem mais de 180 mil voluntários.

Foto: Wilson Dias- ABR
Foto: Wilson Dias - ABR

O sucesso da Pastoral, no entanto, não se limitou ao Brasil e extrapolou as fronteiras do país, com ações que vão do soro caseiro às farinhas multimistura que a instituição ajudou a difundir. Mais de 200 mil bebês já foram salvos da diarreia e da desnutrição em outros três continentes.

Três vezes indicada ao “Prêmio Nobel da Paz”, Zilda Arns deixou um legado de fraternidade e apoio aos menos favorecidos. Para celebrar sua trajetória, a Ecológico selecionou frases de Zilda que mostram que o amor foi a grande lição que ela nos deixou. Confira:

  • “Deus me preparou desde antes de nascer para ser missionária. Sempre tive vontade de ir onde existe sofrimento.”
  • “Formamos uma rede de solidariedade humana em cada bolsão de pobreza e miséria deste país e as propulsoras do desenvolvimento da Pastoral foram as líderes destas comunidades.”
  • “O outro é o limite da nossa liberdade.”
  • “Cientificamente, a mulher tem uma inteligência difusa mais desenvolvida. Ela enxerga um horizonte mais amplo. Na Pastoral, sempre encontramos exemplos de homens da comunidade que questionam a validade de suas esposas estarem trabalhando como voluntárias, quando deveriam trabalhar para conseguir mais dinheiro para a família. E a resposta dessas mulheres é: ‘Você não vê que hoje eu sou uma doutora, que aprendo muitas coisas maravilhosas e sou respeitada na comunidade’.”
  • “Estou convencida de que a solução da maioria dos problemas sociais está relacionada com a redução urgente das desigualdades sociais, com a eliminação da corrupção, a promoção da justiça social, o acesso à saúde e à educação de qualidade, ajuda mútua financeira e técnica entre as nações, para a preservação e a restauração do meio ambiente.”
  • “A paz é uma conquista coletiva. Tem lugar quando encorajamos as pessoas, quando promovemos os valores culturais e éticos, as atitudes da busca do bem comum, que aprendemos com nosso mestre Jesus.”
  • “O povo seguiu Jesus porque ele tinha palavras de esperança. Assim, nós somos chamados para anunciar as experiências positivas e os caminhos que levam as comunidades, famílias e pais a serem mais justos e fraternos. Como discípulos e missionários, convidados a evangelizar, sabemos que força propulsora da transformação social está na prática do maior de todos os mandamentos da Lei de Deus: o amor, expressado na solidariedade fraterna, capaz de mover montanhas.”
  • “Amar é acolher, é compreender, é fazer o outro crescer.”

Saiba mais
www.pastoraldacrianca.org.br


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