Rio Araçuaí pede socorro

Poluição e assoreamento está afetando o abastecimento. Durante audiência pública na ALMG, lideranças e moradores denunciam irregularidades em barragens do Estado
Da Redação / redacao@revistaecologico.com.br
Água
Publicado em: 06/06/2019

Um dos principais cursos d’águas do Vale do Jequitinhonha, o Rio Araçuaí vem registrando níveis críticos de vazão – o período atual já é o pior dos últimos 20 anos e já afeta o abastecimento de água na região. Além disso, o rio está poluído: sofre com o despejo de esgoto que vem de municípios como Turmalina, Minas Novas, Francisco Badaró e Araçuaí.

As informações são do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) e foram apresentadas durante audiência pública realizada ontem (05/06) pela Comissão de Assuntos Municipais e Regionalização, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). “O rio está por um fio. Se a situação continuar a mesma, em três ou quatro anos não teremos água para beber”, alertou Armando Paixão, prefeito de Araçuaí. A cidade está próxima à foz e recebe água de péssima qualidade.

Em 2018, segundo Armando, a prefeitura gastou R$ 800 mil com caminhões-pipa para levar água à zona rural. Neste ano, deve gastar R$ 1 milhão. “É água para sobrevivência. O morador do campo não pode produzir e nem gerar renda com ela”, observou. Ele pediu a união de todos os órgãos para um trabalho de longo prazo em prol do rio.

Foto: Guilherme Dardanhan/ALMG
Foto: Guilherme Dardanhan/ALMG

Josias Gomes, membro do Comitê da Bacia Hidrográfica (CBH) do Araçuaí, acrescentou que nem mesmo a Copanor consegue limpar a água da barragem do Rio Setúbal, que abastece parte da região. A água, segundo ele, está sendo levada à zona rural de Araçuaí junto com sulfato de alumínio, para os próprios consumidores, sem experiência, fazerem a sedimentação.

“O Rio Araçuaí está na UTI. E, por tabela, morrem outros rios”, ressaltou o Frei José Natalino Martins, pároco de Berilo e presidente da Caritas Diocesana, também presente à reunião.

Segundo a presidente do CBH do Rio Araçuaí, Bruna Otoni, outro problema que impacta diretamente o curso d’água são as barragens dos Rios Setúbal e Calhauzinho. Geridas pelo governo de Minas: elas não têm licença de operação. “O Estado não cumpriu nenhum dos programas de controle do plano ambiental da barragem e está ausente do comitê”, denunciou.

Ocupações irregulares, com supressão de matas ciliares, falta de saneamento e de reúso da água, presença de lixões e aterros, além da mineração, foram outros problemas citados por Bruna, que também lamentou o sucateamento dos órgãos ambientais da União e do Estado.

Por outro lado, Igam e Copasa apresentaram projetos que podem beneficiar a região. Está em fase de consulta pública para priorização de áreas, por exemplo, o “Somos Todos Água”, do Igam, voltado para a recuperação dos cursos d’água com vistas à segurança hídrica e à diversidade. Já a Copasa/Copanor citou o "Pró-mananciais", que investiu R$ 423 mil em cinco cidades da região. O programa faz replantio de nascentes, cercas e pequenas barragens, com educação ambiental de crianças. Outros R$ 22,5 milhões serão aportados no semiárido para projetos alternativos de oferta hídrica. Há, ainda, investimento de R$ 10 milhões em Araçuaí para Estações de Tratamento.


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