Risco de desabastecimento de água reúne prefeitos e vereadores na CMBH

Objetivo é aglutinar forças na luta pela segurança hídrica em municípios que podem ser afetados pelo rompimento de barragens de mineração
Da Redação / redacao@souecologico.com
Política Ambiental
Publicado em: 26/07/2019

Em encontro realizado ontem (25/07) na Câmara Municipal de Belo Horizonte, prefeitos e vereadores de 20 cidades mineiras que podem ter o abastecimento público de água afetado, por conta do rompimento de barragens de rejeitos de minério nas bacias dos rios Paraopeba e das Velhas, afirmaram estar preocupados com um possível colapso hídrico na Região Metropolitana de BH.

Várias das barragens estão em situação preocupante em termos de segurança e estabilidade, podendo impactar mananciais e pontos de captação de água. O sistema de captação de Bela Fama, no Alto Rio das Velhas, por exemplo, corresponde a 70% do abastecimento de Belo Horizonte e é de suma importância para a segurança hídrica de outras cidades da Região Metropolitana. Atualmente, há 35 barragens com capacidade de afetar o Rio das Velhas, algumas delas sem estabilidade garantida, ou seja, apresentando nível 1, 2 ou 3 de emergência.

Para se evitar o colapso hídrico das cidades da RMBH, a Comissão Parlamentar de Inquérito das Barragens apresentou uma carta aberta aos municípios durante a reunião, alertando não apenas para a necessidade de fiscalização permanente de qualquer atividade que possa impactar os sistemas de abastecimento, como também conclamando os municípios a pensarem em um novo modelo de atuação integrada pela preservação dos cursos d’água que abastecem a RMBH.

Foto: Karoline Barreto/CMBH
Foto: Karoline Barreto/CMBH

"É necessário unir forças para que não falte água na Região Metropolitana", ressaltou o presidente da CPI das Barragens, vereador Edmar Branco (Avante). Já a vereadora Bella Gonçalves (Psol) lembrou que "os cursos d’água não respeitam limites municipais, sendo necessário, portanto, um trabalho conjunto de diversas cidades para a sua preservação". As falas dos vereadores fazem coro à carta aberta aos municípios. Se não houver qualquer intervenção, destaca o documento, a capacidade normal de abastecimento de água na RMBH estará assegurada apenas até março do ano que vem. O fato preocupa a CPI das Barragens, tendo em vista, ainda, os recentes rompimentos de estruturas de armazenamento de rejeitos de minério, como ocorreu em Mariana, em 2015, e em Brumadinho neste ano.

Sobre possíveis alternativas, o vereador Irlan Melo (PR) lembrou que um representante da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) afirmou à CPI, no dia 23 de julho, que a mudança do atual sistema de barragem pelo sistema de filtragem, que é mais seguro, aumentaria os custos da mineração em, no mínimo, dez vezes. “Então, está justificado o motivo pelo qual, até a presente data, não se fez a mudança do sistema. Ou seja, a vida humana vale menos do que o lucro e continuará assim enquanto não se punir com mão de ferro os responsáveis pelos crimes que têm acontecido”, afirmou Melo, que assegurou que a informação prestada pelo representante da CSN constará do relatório final da CPI.

Atuação do Igam é criticada

O mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos e representante da Bacia do Rio Paraopeba, Mauro da Costa Val, criticou a atuação do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), responsável por desenvolver e implementar a Política Estadual de Recursos Hídricos de Minas Gerais. “O órgão público criado para garantir como uso prioritário o abastecimento público de água está atuando de maneira a fragilizar a vida, a fragilizar os pequenos usuários, ao priorizar grandes usuários, via de regra as grandes minerações e empresas associadas à Fiemg”, afirmou ele durante a reunião. Ele completou: “Se assim continuar, em menos de 10 anos teremos crises homéricas na RMBH e em outras regiões do Estado em função de erros planejados e deliberados pelos órgãos públicos estaduais da área de meio ambiente, principalmente da área de recursos hídricos”.

(*) Com informações da Superintendência de Comunicação Institucional da CMBH.


Postar comentário