Tesouro à vista na Costa do Descobrimento

Maior reserva particular do Nordeste brasileiro, a RPPN Estação Veracel, em Porto Seguro, é berço de nascentes em meio à Mata Atlântica e morada de harpias
Luciana Morais - De Porto Seguro/Eunápolis (BA)
Conservação
Publicado em: 04/10/2018

Poucos municípios brasileiros podem se orgulhar de ter o seu patrimônio natural amparado no cada dia mais valioso binômio água-floresta. Porto Seguro, no Sul da Bahia, certamente é um deles.

Localizado na Costa do Descobrimento, região de grandes belezas naturais e alta concentração de biodiversidade – mas também vítima de um intenso e histórico processo de desmatamento e ocupação urbana –, Porto Seguro ainda tem 45% de seu território coberto por vegetação nativa: a Mata Atlântica. Criticamente ameaçado em escala nacional, lá esse bioma segue protegido, em grande parte, devido à existência de 25 unidades de conservação públicas e particulares.

Entre essas unidades, estão dois parques nacionais: o Pau-Brasil e o Monte Pascoal. A eles se somam ainda 15 Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) que totalizam, juntamente com outras modalidades de reservas e Áreas de Preservação Ambiental (APAs), mais de 92,5 mil hectares de florestas protegidas (*).

No quesito água, além do litoral que atrai cerca de 1 milhão de turistas por ano, Porto Seguro se destaca por abrigar 22 microbacias hidrográficas. São rios e córregos que, não raro, têm suas nascentes localizadas em unidades de conservação, comprovando o papel essencial dessas áreas na prestação de serviços ambientais, como produção de água, oferta de paisagens e ambientes para atividades de pesquisa, educação ambiental, lazer e turismo.

Um exemplo é a RPPN Estação Veracel, mantida pela Veracel Celulose S/A. Considerada uma das 20 áreas com maior diversidade de árvores do mundo e reconhecida pela Unesco como patrimônio mundial natural em 1999, a reserva fica a 15 quilômetros do Centro Histórico de Porto Seguro. Tem 6.069 hectares e abrange também parte do município de Santa Cruz de Cabrália.

Em seu interior estão as nascentes dos rios Jardim e Mangues, este último responsável pelo abastecimento público de Porto Seguro. Quando o assunto é a concentração de espécies da fauna e flora, a RPPN da Veracel também apresenta números relevantes e importância estratégica para toda a região.

Recompensa do alto

Durante uma caminhada pela Trilha da Floresta Atlântica, que tem cerca de 1,6 quilômetro de extensão, com direito a travessia em ponte pênsil, a coordenadora da Estação, a bióloga mineira Virgínia Camargos, revela a existência de 799 espécies da flora, 352 de aves e 31 de mamíferos. Em meio a árvores enormes, como o embiruçu (Pseudobombax grandiflorum), conhecida como árvore-foguete, em razão de seu formato, Virgínia explica que o levantamento de dados foi feito entre 2008 e 2017.

E graças a essa rica diversidade, a empresa está ajudando a fomentar na região uma atividade que apresenta tendência de crescimento em todo o mundo: a observação de aves. Só este ano, mais de 700 visitantes estiveram na unidade, atraídos pela presença de belas e também ameaçadas espécies, que chamam a atenção por seus diferentes portes, cantos e plumagens.

“Menina dos olhos” da Veracel, a RPPN abriga desde pequenos beija-flores, como o de-fronte-violeta (Thalurania glaucopis) até o imponente gavião-real (Harpia harpyja), a maior ave de rapina das Américas, cuja envergadura de asas pode chegar a dois metros. Em junho deste ano, pesquisadores do projeto Harpia na Mata Atlântica, coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), localizaram dois ninhos na reserva. São dois casais com um filhote cada.

Doutora em Botânica pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), Virgínia lembra que a presença das harpias comprova a importância de preservar não só as árvores que servem de ninho para a espécie, como o embiruçu e a juerana-vermelha (Parkia pendula). Mas, sobretudo, de coibir a ação de caçadores e sensibilizar as comunidades vizinhas sobre o valor dos animais livres e da manutenção da floresta em pé, por meio da educação ambiental e do apoio à capacitação de guias locais.

Horas depois de ‘passarinhar’ pela trilha, entreolhando a copa das árvores com binóculos, fomos recompensados ao avistar, durante um sobrevoo de helicóptero, um dos ninhos com um filhote dentro. Apaixonada pelo trabalho, Virgínia vibra ao falar das harpias. Afinal, como se trata de um animal do topo da cadeia alimentar, o sucesso de sua reprodução em ambiente silvestre indica que as ações em prol da conservação da Mata Atlântica e de todo o ecossistema local, coordenadas pela Veracel há mais de 20 anos, estão no rumo certo.

Em especial no que se refere às ações de restauração florestal e iniciativas de criação de corredores ecológicos, permitindo assim o fluxo de animais entre fragmentos de vegetação antes isolados. Nesse contexto, o ano de 2005 é considerado um marco para a empresa. Foi quando seus acionistas decidiram que seriam restaurados 400 hectares por ano.

“De 1994 até 2017, restauramos cerca de 6.500 hectares e plantamos mais de 5 milhões de mudas, nos diferentes municípios em que atuamos”, enumera Virgínia. Com o Programa Mata Atlântica (PMA), a empresa consorcia a rica biodiversidade do bioma atlântico com seus projetos florestais, por meio do plantio em mosaico, interconectando mata nativa e eucaliptais. A meta é revegetar 16,9 mil hectares com espécies nativas até 2030.

O trabalho de restauração florestal tem alguns diferenciais. São plantados de 20 a 40 tipos de mudas nativas. As áreas de plantio são monitoradas por até 24 meses e, a cada cinco anos, é feita uma avaliação do processo, para identificar se é preciso algum tipo de intervenção ou substituição de espécies.

Diálogo é chave

Outro projeto em andamento prevê a criação do Corredor Ecológico Parna Pau-Brasil/Estação Veracel, com cerca de 8 km de extensão, em articulação com a ONG The Nature Conservancy (TNC) e o Instituto BioAtlântica (IBio).

Sob o lema “Conectando pessoas e florestas”, a Veracel atua em conjunto com atores e entidades da região, sustentada em dois pilares: o ordenamento territorial e o monitoramento independente da cobertura vegetal do Extremo Sul da Bahia. Ela integra o Diálogo Florestal Nacional, iniciativa que envolve outras empresas do setor de base florestal, como Fibria e Suzano, além de representantes do Ministério Público Estadual/Núcleo Mata Atlântica, Fórum Florestal do Extremo Sul da Bahia e ONGs ambientalistas.

O monitoramento independente da cobertura vegetal está entrando agora em sua terceira fase. Os primeiros resultados foram publicados em 2016, buscando compreender os impactos das mudanças no uso do solo ocorridas durante décadas, numa área de mais de 2 milhões de hectares.

Diálogo, aliás, é a palavra-chave para o CEO da Veracel Celulose, o paulistano Andreas Birmoser. Questionado sobre a resistência e os desafios históricos que envolvem a imagem do setor perante a opinião pública, Birmoser demonstra segurança e, acima de tudo, o desejo de seguir contribuindo para um presente e um futuro mais sustentáveis, com ganhos coletivos.

“Sinto que hoje a Veracel não somente é aceita, como também que as pessoas nos querem por perto, trabalhando e buscando juntos as melhores soluções para o desenvolvimento do território. Seguimos abertos ao diálogo e procurando entender cada vez mais as demandas das comunidades. Queremos que a Veracel seja percebida como o melhor vizinho que se pode ter aqui na região.”

SERVIÇO:

Para conhecer a Estação Veracel, entre em contato:

(73) 3166-8755

estacaoveracel@veracel.com.br

(*) Dados do Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica de Porto Seguro (PMMA-2014) / Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

A repórter viajou a convite da Veracel Celulose/Ibá.


Base Florestal

Fruto de união de duas líderes internacionais do setor: a brasileira Fibria e a suecofilandesa Stora Enso, a Veracel está presente em Eunápolis desde 1991. Produz 1,1 milhão de toneladas de celulose branqueada de eucalipto por ano. A atual configuração da base florestal permite que a empresa mantenha um hectare ambientalmente protegido para cada hectare de plantio de eucalipto.

Saiba mais:

www.veracel.com.br

www. iba.org/pt


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