Unidades de Conservação da Amazônia sofrem com pedidos de extinção e de diminuição de áreas

15 das 20 UCs com maior área desmatada já tiveram ou foram objeto de pedidos de recategorização, redução de limites e ou extinção
Matheus Muratori - redacao@souecologico.com
Política Ambiental
Publicado em: 29/11/2019

Um estudo da Organização Não-Governamental (ONG) WWF- Brasil, apresentado nessa quinta-feira (28), não deu motivos para se ter esperanças com a preservação da Amazônia. No seminário Desmatamento e Queimadas na Amazônia: Tendências, Dinâmicas e Soluções, que aconteceu na Câmara dos Deputados, em Brasília, o gerente de Ciências da ONG, Mariana Napolitano, apresentou o levantamento.

Os dados apontam que 15 das 20 Unidades de Conservação da Amazôna com maior área desmatada já tiveram ou foram objeto de pedidos de recategorização, redução de limites e ou extinção. A soma desses pedidos dá 162 propostas.

"Esse fenômeno vem aumentando nos últimos anos para acomodar interesses de poucos. Diminuir limites é perder floresta protegida”, disse Mariana.

Levantamento foi apresentado a agentes políticos (Foto: Divulgação/Força-Tarefa Amazônia)
Levantamento foi apresentado a agentes políticos (Foto: Divulgação/Força-Tarefa Amazônia)

Ela seguiu com a resposta e completou: “Entre 2004 e 2012 as curvas de desmatamento diminuíram significativamente e foi uma época de grande expansão da agropecuária”.

Mariana Napolitano mostrou um panorama sobre a situação das UCs da Amazônia:

* Infraestrutura: existem 110 áreas protegidas potencialmente ameaçadas por projetos de energia e logística, somando aproximadamente 30 mil km2, ou 2% do território protegido.
* Desmatamento: 204 UCs com registros. São 18 UCs com mais de 50% da área desmatada.
* Mineração: há 219 UCs com processos minerários ativos. 118 áreas completamente restritivas à mineração (400 mil ha)
* CAR: apenas 28 áreas não apresentam nenhum CAR em seu interior. Em mais de 50 áreas há sobreposição acima de 90%.


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