Vale avalia nova tecnologia para tratamento de água contaminada

Risco de novos rompimentos e contaminação do Rio Paraopeba ameaçam abastecimento da RMBH
Da redação* - redacao@souecologico.com
Mineração
Publicado em: 31/07/2019

O uso de tecnologias que irão permitir o tratamento de águas que tenham sido contaminadas com rejeitos de mineração é uma das ações que a Vale estuda para garantir o abastecimento de BH e Região Metropolitana, em caso de novos rompimentos que possam atingir a Bacia do Rio das Velhas. A informação foi repassada por técnicos da empresa em mais uma oitiva realizada pela CPI das Barragens, na Câmara Municipal, nessa terça-feira (30/07).

De acordo com a engenheira sanitarista e gerente de Gestão Ambiental da Vale, Roberta Guimarães, os estudos, elaborados em parceria com a UFMG, fazem parte de um Sistema de Tratamento Complementar que a empresa vem avaliando, com caráter preventivo, a fim de assegurar a não interrupção do abastecimento hídrico da Capital.

“Hoje temos tecnologias para o tratamento de águas com os mais diversos contaminantes, alguns inclusive até piores que os que encontramos no Rio das Velhas. A que nós estamos vislumbrando a implementação, tem robustez e já foi implementada em São Paulo, pela Sabesp, com águas degradadas visando a potabilidade”, explicou.

Durante a oitiva, a gerente executiva de Reparação Brumadinho/Bacia do Paraopeba da Vale S/A, Gleuza Jesué, informou ainda que a empresa tem colocado todos os seus esforços para garantir a finalização das obras para a nova captação no Rio Paraopeba, dentro do prazo previsto - outubro de 2020, mas que um plano de contingenciamento está sendo elaborado, juntamente com a Copasa, caso ocorra situações de desabastecimento a partir de março do ano que vem.

Moção de repúdio

Foto: Bernardo Dias / CMBH
Foto: Bernardo Dias / CMBH

Na reunião dessa terça-feira, foi lida e aprovada pelos membros da CPI uma Moção de Repúdio à construção da Barragem de Maravilhas III, nas dependências da Mina do Pico, em Itabirito. A moção foi retirada pelos participantes do Seminário Água versus Mineração, realizado pela Câmara Municipal, no último dia 16 de julho e que teve o objetivo de esclarecer a sociedade sobre o risco de colapso no abastecimento de água em BH, em caso de rompimento de barragens na Região Metropolitana de BH.

A construção de Maravilhas III, conforme informações da Câmara Municipal, está em andamento e a Barragem deverá ter capacidade para armazenar aproximadamente 108 milhões de m³ de rejeitos - nove vezes os 12 milhões de m3 que vazaram da barragem da Mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho.

A vereadora Bella Gonçalves lembrou que Maravilhas III foi projetada para ser a maior barragem na Bacia dos Rios das Velhas, e que o licenciamento ocorreu após o rompimento em Mariana. “Não é possível que sigamos construindo estas ‘bombas-relógio’ que depois não vão conseguir sequer ser descomissionadas devidamente”, declarou a vereadora.

* Com informações da Superintendência de Comunicação Institucional da CMBH


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