Veleiro feito com plástico prepara viagem

Embarcação construída com resíduos coletados em praias e cidades do Quênia fará sua primeira viagem neste mês
Expedição
Publicado em: 16/01/2019

Um veleiro feito inteiramente de lixo plástico, coletado em praias e cidades do Quênia, fará sua primeira viagem neste mês, partindo da cidade queniana de Lamu até chegar à região de Zanzibar, na Tanzânia. A expedição percorrerá 500 km e terá paradas em diferentes comunidades ao longo da rota, com o objetivo de transformar mentalidades sobre o impacto dos resíduos plásticos na natureza e nas cidades.

A iniciativa é apoiada pela campanha Mares Limpos, da ONU Meio Ambiente. A embarcação FlipFlopi é a primeira do gênero, feita com 10 toneladas de plásticos descartados. Seu nome um trocadilho com a palavra “flip-flop” em inglês, que significa chinelo — um dos itens que foram usados como matéria-prima.

Com nove metros de comprimento, o barco tem a estrutura típica de um “dhow”, tipo de veleiro tradicional da região. A equipe que o construiu quer uma #PlasticRevolution (uma revolução dos plásticos, em tradução livre para o português), para conter o fluxo de até 12 milhões de toneladas do material despejados, a cada ano, como lixo nos oceanos do planeta. Os engenheiros também querem destacar o potencial que o lixo plástico tem de ser reutilizado.

Poluição marinha

O barco foi inaugurado no fim de 2018, em Lamu, e se uniu à campanha Mares Limpos da ONU Meio Ambiente, que engaja governos e os setores público e privado na luta contra a poluição marinha por plástico. Nove países africanos já aderiram à campanha, prometendo ações para combater a degradação dos oceanos.

“O Flipflopi é uma prova de que podemos viver de um jeito diferente. É, ainda, um lembrete da necessidade urgente de repensarmos o modo como fabricamos, usamos e gerenciamos o plástico descartável”, afirma a chefe interina da ONU Meio Ambiente, Joyce Msuya.

Apenas 9% das 9 bilhões de toneladas de plástico que o mundo já produziu foram reciclados. A surpreendente maioria dos plásticos — incluindo garrafas de bebidas, tampinhas, embalagens de comida, sacolas, canudos e recipientes de isopor — é projetada para ser jogada fora após um único uso.

No recém-publicado relatório Limites legais sobre plásticos descartáveis e microplásticos: uma revisão global de leis e regulações nacionais, a ONU Meio Ambiente informa que 127 dos 192 países analisados (o que equivale a cerca de dois terços) já adotaram alguma forma de legislação para regular sacolas plásticas. Vinte e sete nações promulgaram legislação que proíbe produtos específicos (como pratos, copinhos, canudos e embalagens), materiais (como o poliestireno) ou níveis de produção.

Quase dois anos após o Quênia ter implementado as leis mais duras do mundo sobre sacolas plásticas, o Flipflopi vem ampliar a conscientização dos cidadãos. A iniciativa foi fundada em 2016 para alertar sobre o impacto que o plástico está tendo sobre os ecossistemas marinhos e, o mais importante de tudo, sobre o que é possível fazer a respeito desse problema.

A expedição do Flipflopi terá início em 24 de janeiro, em Lamu. O barco deve chegar a Stone Town, em Zanzibar, em 7 de fevereiro. Nessa região da Tanzânia, as equipes da embarcação e da Mares Limpos vão se encontrar com a organização Conservation Music no Festival de Música Busara, mobilizando o público do evento em prol da luta contra a poluição marinha por plástico.

Fonte: ONU


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