Zara planeja comercialização de roupas 100% sustentáveis a partir de 2025

Marca já foi responsabilizada por trabalho escravo no Brasil, em 2011
Matheus Muratori - redacao@souecologico.com
Sustentabilidade
Publicado em: 19/07/2019

A rede espanhola de lojas de roupas Zara quer trabalhar somente com peças 100% sustentáveis a partir de 2025. A marca, que engloba o grupo Inditex junto de MassimoDutti e Pull&Bear, também espera que 80% da energia em todas as atividades das lojas, centros logísticos e escritórios sejam oriundas de fontes limpas e renováveis até 2023.

O diretor executivo da empresa, o espanhol Pablo Isla, comentou a estratégia. Segundo o CEO, em entrevista ao The Guardian, a marca precisa “ser a força dessa mudança, não somente para a própria companhia, mas para todo o setor”.

Loja da Zara no Boulevard Shopping, em Belo Horizonte (Divulgação/Zara Boulevard Shopping)
Loja da Zara no Boulevard Shopping, em Belo Horizonte (Divulgação/Zara Boulevard Shopping)

“Somos nós quem estabelecemos essas metas: a força e o impulso para a mudança vêm da equipe comercial, das pessoas que trabalham com nossos fornecedores, das pessoas que trabalham com tecidos. É algo que está acontecendo dentro da nossa empresa”, completou Isla. A Zara divulgou também que só utilizará algodão, linho e poliéster "orgânicos, mais sustentáveis ou reciclados", como um dos vários alvos sustentáveis ​​para os próximos seis anos.

Esses três materiais e a viscose (fibra artificial de celulose, fabricada a partir de cavacos de madeira de árvores) compõem 90% de todas as matérias-primas compradas pela Zara. "Sustentabilidade é uma tarefa sem fim", finalizou a companhia espanhola.

A Zara também quer eliminar o uso das sacolas plásticas até 2020. Já a Inditex prometeu, que até 2023, terá cessado totalmente os plásticos de uso único das vendas aos clientes e enviará 100% dos resíduos gerados nas sedes e lojas para reciclagem ou reutilização (o número atual gira em torno de 88%).

Problemas com trabalho escravo

Apesar das novas metas ecologicamente corretas, a Zara coleciona histórias de descrédito. Em 2017, a Justiça Brasileira considerou a marca responsável por trabalho escravo, praticado em 2011. Na ocasião, o Ministério do Trabalho flagrou 16 funcionários (15 bolivianos e um brasileiro) produzindo peças para a empresa, na Zona Norte de São Paulo. De acordo com os fiscais, os costureiros chegavam a trabalhar 20 horas por dia, em ambientes fechados e com fiação exposta. A marca alegou que a culpa era da fornecedora que organizava a confecção, a AHA.

Já em 2016, a BBC informou que refugiados sírios, frequentemente sem as permissões de trabalho pertinentes, trabalham na Turquia para fábricas que confeccionam roupas para algumas marcas, entre elas a Zara. A empresa alegou que realiza inspeções com regularidade, e que elas são "uma maneira muito eficaz de controlar e melhorar as condições".


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